Colhendo soja em janeiro
Os 31 dias ininterruptos de chuva no início do ano tiraram do Mato Grosso o sonho de um novo recorde de produção de soja. Mas nada que afete o sono dos produtores. Osvaldo Pasqualotto, dono de 70 mil hectares de terra em 11 municípios do Estado, diz que o excesso de chuva quebrou sua safra precoce em 10%. Mas que a soja média e a tardia ganharão 10% de produtividade nesta safra. Como ele planta 50% da primeira e 50% das outras, não haverá prejuízo nenhum.
"Cada vez mais a gente está antecipando para colher o mais rápido possível e plantar o milho. Em Mato Grosso, já houve colheita de soja no início de janeiro, o que não acontecia em anos anteriores", afirma. A perda com a chuva que cai em maior ou menor quantidade no primeiro mês do ano é inevitável, mas o ganho com o milho tende a ser maior.
Recém-chegado de uma visita aos Estados Unidos, ele ressalta que o problema por aqui é a logística. "As hidrovias por lá funcionam muito bem. Nossa esperança é que no Brasil elas também sejam uma alternativa em futuro breve", afirma.
Uma das apostas dos mato-grossenses é a conclusão das obras de pavimentação da BR-163 até Itaituba, no Pará, onde existe um terminal aquaviário que leva a soja até Santarém. "Teremos um frete mais barato e a soja vai chegar dois dias mais rápido na China", explica.
As dificuldades logísticas, segundo ele, estão fazendo com que os grandes produtores de Mato Grosso invistam em armazéns nas próprias fazendas. "O pessoal está pensando muito em secar a soja e guardar, passando a vender ao longo do ano", declara.
Há 30 anos plantando soja em MT, ele diz que a relação dos produtores com as tradings é boa é que está contente com o preço pago pela sua soja. (N.B.)





