Colheitas não derrubam preços do milho e feijão
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de abril de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba -- A previsão de que no período da colheita, as cotações dos alimentos caem, pela lei da oferta e procura, não está se confirmando este ano. Ao contrário de outros anos, os preços do milho, que é base de sustentação para produtos da cesta básica, como as carnes, não caíram neste primeiro trimestre como se esperava. Os preços do feijão, um alimento básico, também não caíram. O surpreendente é que essa queda, tão esperada, não está ocorrendo nem com a desvalorização do dólar perante o real.
No caso do milho, o mercado acredita que a demanda está muito ajustada à oferta e, por este motivo, os preços não cedem. Já existe, inclusive, uma movimentação das indústrias visando formar estoques, diante da indefinição de como o mercado vai se comportar este ano. O quadro de produção de milho está muito dependente da safrinha e este é um dos motivos da permência das cotações do grão em alta.
Para a engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral), Vera Zardo, entre os fatores que impedem a queda no preço do milho está a desvalorização do dólar. O dólar em queda, reduz o preço da paridade de exportação, e o produtor segurou as vendas. Com isso, os preços estão se mantendo no mercado.
Outro fator de sustentação no mercado é a cautela dos compradores, que decidiram antecipar a formação de estoques, temendo a indefinição do mercado de milho este ano. Eles temem também o desempenho da safrinha, que pode ser prejudicada pelo clima, e ainda pode ocorrer uma nova alta na cotação do câmbio até o final do ano.
Os compradores das indústrias não querem ficar dependentes do mercado no segundo semestre, quando o período de entressafra promete agravar o quadro de escassez do milho - comenta a técnica.
Novos instrumentos de comercialização adotados pelo governo também estão mantendo a cotação do milho em alta. O governo federal lançou a Linha Especial de Crédito (LEC) para apoiar a compra de milho e sorgo, de acordo com as cotações de mercado.
Nos últimos 10 dias, o preço do milho vem se sustentando em R$ 17,50 a saca (preço pago ao produtor). Em algumas praças, o preço máximo atinge R$ 20,20 a saca.
De acordo com acompanhamento do Deral, o preço de venda do milho no atacado, na última semana, foi de R$ 19,57 a saca de 60 kg, com preço máximo de R$ 21,50. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o preço do milho pago ao produtor subiu 53% e no mercado atacadista, a cotação subiu 57%.
Este é o terceiro ano que o quadro de oferta e demanda de milho permanece ajustado, sustentando as cotações do grão. O milho virou produto de exportação e sua cotação vem sendo balizada em dólar. Enquanto isso, o governo deixou de fazer estoques reguladores e a preocupação com formação de estoques se restringe a indústrias frigoríficas de aves e suínos, que são mais capitalizadas.
O quadro de oferta de milho pode ser melhor este ano, se o clima ajudar. Porém, a falta de chuvas nas regiões Norte e Norte Pioneiro do Estado impediram a conclusão do plantio da safrinha. A previsão é que sejam colhidos no Estado 12 milhões de toneladas do grão, entre a colheita da safra normal e da safrinha. A colheita da safra normal foi reavaliada de 7,5 milhões de t para 8 milhões de t. E na safrinha, espera-se uma produção de quatro milhões de t. Esse resultado, se consolidado, será 24% maior em relação à produção do ano passado, quando as duas safras ofertaram 9,6 milhões de toneladas de milho.


