Colheita se estende por oito meses
Para o técnico Rinaldo Clementin a rentabilidade do maracujá é de praticamente 100%. As principais despesas, como calcula, estão na implantação e na mão-de-obra. O custo aproximado da introdução da cultura é de R$ 12 mil/ha. A madeira para a construção das espaldeiras (varais) é o item mais caro. ''O ideal é usar madeira tratada, mas a maioria aproveita material disponível no sítio'', revela. O custo das mudas é de R$ 100/milheiro.
A produção do maracujá começa no primeiro ano com a colheita se estendendo de dezembro a julho, com uma média de 20 toneladas/ha. O melhor período de colheita vai até final de abril. De maio a julho entra a produção 'safrinha'. A formação das flores é estimulada pela luz do sol. ''Boa florada exige pelo menos 11 horas de luz/dia'', informa.
A pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Neusa Maria Colauto Stenzel, especialista em frutas tropicais, informa que a boa produção do maracujazeiro depende de um eficiente trabalho de polinização manual da flor. Há um tipo de abelha, a mamangava, que por ser um inseto de porte grande, faz este trabalho com eficiência, mas a população dela é insuficiente. ''Abelhas pequenas, como a europa, são consideradas pragas, pois sugam o néctar e levam embora o pólen'', explica. A polinização deve ser feita no período da tarde logo após a abertura das flores, que ocorre a partir das 14 horas.
Entre os principais males da cultura Neusa cita a antracnose, a bacteriose, a verrugose, a mosca-da-fruta e o percevejo. O controle pode ser feito com iscas e caldas orgânicas e ainda com o uso de plantas quebra-vento. ''É preciso inspeção diária da cultura'', orienta. Outra recomendação é manter uma boa cobertura de solo, que além de conservar a umidade, evita danos nos frutos maduros que caem.
Para a manutenção de uma boa produção, Neusa indica a renovação da plantas depois de dois ou três anos. ''Apesar do alto custo de implantação, a boa produtividade compensa o investimento'', diz a pesquisadora. As madeiras podem ser reaproveitadas, mas exigem tratamento para eliminar possível contaminação de bactérias. O espaçamento ideal é de três metros (m) entre plantas e de, no mínimo, 2,5 m entre linhas. Na espaldeira a planta pode ser conduzida com até dois fios, um a 1,40 m e outro com 1,80 m. (C.G.)





