Imagem ilustrativa da imagem Colheita recorde nos EUA (ainda) não pressiona preços no Brasil
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Brasil e Estados Unidos estão com um comportamento diferente em relação aos valores da soja, com a colheita chegando por lá e a semeadura iniciando por aqui. Um dos nossos principais concorrentes no mercado mundial está na expectativa da colheita para os meses de outubro e novembro e, segundo relatório do USDA, a expectativa é de uma produção de 124,8 milhões de toneladas, alta de 4,4% frente ao recorde de 119,5 milhões de toneladas da safra anterior.

Por isso, o preço da oleaginosa na Bolsa de Chicago está pressionado para baixo. O valor do bushel está atualmente na casa dos US$ 8,30, sendo que este ano já atingiu US$ 9,50. O Brasil, entretanto, não tem sentido o reflexo dessa pressão baixista na bolsa internacional, já que o dólar está nas alturas, a comercialização em Paranaguá segue firme e os estoques nacionais estão baixos.

Os números do Deral apontam para uma soja comercializada agora no início de setembro na casa dos R$ 79 a saca. Os valores estão em crescimento desde janeiro, e fecharam agosto com média de R$ 77,4. Só para uma análise comparativa, no mesmo período do ano passado, o valor era de R$ 57. A média de 2017 fechou em R$ 60,3, contra média de R$ 71,3 deste ano até aqui. "Neste curto e médio prazos, durante a semeadura, o câmbio segue como fator de sustentação do mercado interno, além da questão dos estoques mais baixos e exportação de grandes volumes até o mês passado. O patamar mais alto da moeda americana tem dado sustentação às cotações do País", complementa o consultor e analista da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro.

Para Ribeiro, esse cenário positivo para o produtor deve seguir pelos próximos meses. "Depois, com as notícias do aumento de área de plantio de soja, o preço deve segurar um pouco mais."

O presidente da Aprosoja- PR (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Paraná), Marcio Bonesi, que é produtor no município de Goioerê (Centro-Oeste), pondera o cenário positivo dizendo que este é um ano nervoso, principalmente devido à situação política do Brasil com as eleições. "Cada cenário muda a situação do dólar e do mercado. Acho que este é um ano complexo para falar de preços." Ele relata também que, além da boa safra brasileira e americana, outros países da América do Sul também chegam com safra forte, como a Argentina, que no ano passado passou por quebra. Tudo isso fará com que haja mais soja nos estoques mundiais.

"Em relação à lavoura, ainda tivemos danos com as plantas resistentes, como a buva e o amargoso. Além disso, tivemos alguns problemas de logística (com a entrega) de adubo na região Oeste, isso já na iminência do plantio da safra." (V.L.)

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