Colheita no pano valoriza o café em 15%
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sexta-feira, 27 de setembro de 2002
Denise Angelo<BR>Equipe Folha 
Curitiba - Os produtores de café que estão colhendo a safra deste ano utilizando a técnica de catação no pano estão conseguindo preços cerca de 10% superiores aos valores pagos pelo café colhido sem esse cuidado. E a perspectiva é que o valor agregado suba ainda mais. Historicamente, o Paraná registra uma valorização de até 15% no café que apresenta boa qualidade.
A catação no pano ajuda a melhorar a qualidade do café porque evita a mistura dos grãos recém colhidos com aqueles que tiveram maturação antecipada e caíram naturalmente do pé. Ao permitir a mistura dos grãos recém colhidos com os que já caíram no chão e, portanto, já sofreram alterações em função do sol e da chuva, o produtor permite que haja uma piora no seu tipo de café e consequentemente na bebida, aspecto de extrema relevância na hora da fixação do preço.
A técnica da catação no pano consiste em colocar um pano em cada lado do pé de café. Segundo o agrônomo da Emater, responsável por essa cultura, Edson Trento, normalmente esses panos têm oito metros de comprimento por 2,5m de largura e alcançam até três pés de café.
Trento alerta, no entanto, que não basta usar a técnica da catação no pano para conseguir agregar valor ao café. É preciso também cuidar do manuseio dos grãos. Depois de colocados no terreiro, os grãos precisam ser movimentados em intervalos de aproximadamente 1h30min. Dessa maneira, a secagem também será uniforme. Para concluir, é preciso armazenar o produto num ambiente onde a umidade relativa varie entre 11% e 12%.
Esta e outras técnicas, embutidas no sistema de café adensado, recomendado pelo Iapar e adotado pelos agricultores, com orientação da Emater, são responsáveis pela retomada da cafeicultura no Paraná.
Segundo a técnica do Deral, Margorete Demarchi, no mês de agosto o preço médio do café no Paraná ficou em R$ 76,20 a saca de 60 quilos. Na primeira semana de setembro os preços apresentaram uma recuperação de cerca de 15%. Na segunda semana esse índice já subiu para 20%. Entre os dias 16 e 21 deste mês, o café foi comercializado, em média, a R$ 1,63 quilo, o que representa um valor de R$ 97,80 a saca.
Esses preços são uma média dos tipos mais comercializados. Os cafés tipo exportação (tipo 6, bebendo duro) têm preços bem superiores (entre R$ 120,00 e R$ 123,00 quarta-feira, no Norte do Paraná, segundo a Bolsa de Cereais de Londrina).


