A volta da produção do algodão no Paraná cria um impasse: como fazer uma colheita econômica. A mecanização conquistou os produtores de algodão. Se antes era preciso contratar mão-de-obra braçal para colher a fibra, hoje o produtor otimiza a produção com o uso de colheitadeiras. No Paraná, sétimo produtor nacional de algodão (já foi o primeiro), a situação não é diferente e os agricultores buscam máquinas de outros Estados para suprir a demanda regional. Para isso, se organizam em grupos ou são amparados por cooperativas.
Mas a colheita mecanizada só é viável em grandes áreas, planas, e para trazer uma máquina de outro Estado - o Paraná aluga colheitadeiras do cerrado brasileiro -, é totalizar um mínimo de 100 alqueires. ''Existem também os grandes produtores que, sozinhos, trazem as máquinas para o Paraná'', lembrou o presidente da Cooperativa Central do Algodão (Coceal), Almir Montecelli.
Nas pequenas propriedades familiares, o processo de colheita ainda é manual. ''Muitas vezes o solo não oferece condições para a realização da colheita mecânica'', explicou. Ele acredita que com o aumento da área de cultivo - a expectativa é crescer mais 60 mil ha na próxima safra -, haverá falta de mão-de-obra no Estado que hoje emprega diretamente 15 mil pessoas.
''A migração tirou o trabalhador do campo e a falta de mão-de-obra será um fator limitante para a expansão do algodão no Estado. Os produtores familiares que plantam algodão terão dificuldade em encontrar trabalhadores e os que pretendem investir nesta cultura, irão pensar duas vezes antes de fazê-lo'', disse Montecelli.
No Brasil, 90% da colheita do algodão é mecanizada. No cerrado brasileiro, 100% dos produtores utilizam colheitadeiras, enquanto no Paraná, o trabalho manual domina o processo da colheita, perfazendo 85%.
Segundo o presidente da Coceal, são necessárias 67 pessoas para colher um alqueire de algodão em um dia. Já uma colheitadeira é capaz de colher quatro alqueires por dia, representando o trabalho de 250 pessoas. ''A diferença está na rapidez, mas em termos de custo, as modalidades se equiparam e são extremamente viáveis'', argumentou.
Experiências positivas O agricultor Aristeu Sakamoto, de Cambará (22 km a noroeste de Jacarezinho), planta algodão desde 1986 e com o apoio da Cooperativa Integrada, realizou sua primeira colheita mecanizada este ano. ''O trabalho é escalonado e rápido. Há tempos venho tentando incentivar o algodão na região e, sem a cooperativa, minha luta seria inglória'', confessou. Em Cambará, sete produtores plantaram 251 ha e obtiveram uma produtividade de mais de 230 arrobas/ha.
Na região de Londrina, a colheita mecânica também favoreceu os produtores. Carlos Kajiwara, que cultivou algodão pela primeira vez, se impressionou com a rentabilidade da cultura. ''Gostei muito da colheita mecânica pela rapidez. O que demoraria três semanas na colheita manual, colhemos em cinco dias com a máquina'', comemorou.
A Integrada disponibilizou quatro colheitadeiras para as áreas de Assaí, Cambará, Guaíra e Goioierê, Londrina e Uraí. Segundo o superintendente da cooperativa, Jorge Hashimoto, a expectativa é receber cerca de 600 mil arrobas de algodão nesta safra e dobrar a área plantada no próximo ano.

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