Colheita garantida sempre
O engenheiro florestal Artur Dalton Lima, da Cooperafloresta, foi chamado para ensinar os agricultores do Litoral. ''O sistema é baseado na dinâmica sucessional da floresta. Têm sementes de tudo que é tipo no solo, esperando uma oportunidade, umas precisam de frio, outras de calor, de seca, de água'', resume. Falando assim, parece um caos na terra, mas na verdade todo o plantio é rigorosamente planejado.
A experiência pode ser vista no terreno do agricultor Élcio Alves de Alencar, em Morretes. Ali, a área destinada ao SAF foi organizada em carreiras, onde foram plantadas cerca de 60 espécies, intercaladas e em distâncias pré-determinadas, entre árvores nativas e agrícolas, com destaque para a palmeira juçara, banana e mandioca.
No meio da carreiras, a cada dois metros foram plantados seis tipos de bananeiras, intercaladas por pés de mandioca, aipim e inhame. Entre eles, culturas anuais, como o feijão e vagem. Na beirada das carreiras, há pés de árvores frutíferas, como limão, tangerina, abacate, pitanga, araça, jabuticaba, entre outras, e várias verduras. A substituição das espécies de ciclo curto vai acontecendo a medida que as outras crescem e fazem sombra, exigindo outras culturas.
As árvores, por sua vez, são manejadas com a poda, o que vai ajudar na recuperação do solo, e abrir possibilidade para novas culturas. Segundo o engenheiro agrônomo Luís Cláudio Maranhão Froule, engenheiro agrônomo da Embrapa Floresta, após uns três anos, a produção estará bastante focada em cima da colheita de frutas. ''A idéia é manter este sistema no campo o maior tempo possível'', diz Froule, ressaltando que em 30 anos, por exemplo, o agricultor poderá também pegar a madeira cultivada.
Artur Lima explica que a adubação é natural. Na parte de solo mais pobre, ele cobre toda a terra com uma forração de capim. ''O capim é rico em carbono, as folhas fazem a terra ser mais porosa, a não ressecar. Ao contrário dos agrotóxicos que ficam na terra, infiltram e contaminam o lençol freático, esse sistema traz vida à terra, aumenta a fartura e a diversidade, assim como aconteceria em uma floresta'', diz o engenheiro florestal da Cooperafloresta.
Élcio Alencar e a esposa, que moram há quatro anos na área em Morretes, plantam e vendem cana-de-açúcar, juçara, banana e principalmente mandioca, maior fonte de renda do casal. Por mês ele vende aproximadamente 1.200 quilos de mandioca para restaurantes da região. Outras culturas, como feijão, arroz, milho são só para consumo próprio. Ele se diz confiante no novo sistema. ''Estamos experimentando, o que é rasteiro, a salsa e a cebolinha vão crescer rápido, mas o mais rentável vai demorar'', diz ele, que acredita que a espera vale a pena. ''Esse tipo de produção vai ajudar a fortalecer a terra e é melhor para a saúde das pessoas'', aposta o agricultor. (M.G.)





