Colheita eficiente de soja é desafio no Paraná
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sábado, 07 de novembro de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Se por um lado, o exemplo da jovem estudante de Cafeara Valéria Turozi Lazaretti mostra que é possível melhorar a eficiência da colheita de milho, por outro, as perdas nas lavouras de soja ainda se mostram preocupantes no Paraná. Segundo dados da Embrapa Soja, a perda média estadual aceitável, em número de 2007, é de uma saca de soja por hectare (ha). Porém, os especialistas da instituição não têm dúvidas de que este número é bem superior. No Brasil, a média de perdas na colheita de soja é de duas sacas por ha. Isso representa, anualmente, um desperdício de 31,3 milhões de sacas, o que representa um prejuízo médio de R$ 1,87 bilhão.
O pesquisador da Embrapa Soja Osmar Conte relata que basta dar uma volta pelos campos de soja paranaenses após a colheita para perceber que muitas plantas ainda estão no campo, germinando, o que prova a falta de eficiência na colheita. Em alguns locais, segundo ele, o volume de plantas remanescentes é tão grande que "parece uma área de soja safrinha".
Conte elenca diversos fatores que muitas vezes fazem o sojicultor perder eficiência na lavoura: a velocidade da colheita em períodos chuvosos, falta de regulagem das máquinas, grão plantado em áreas muito declivosas, mal preparadas e pouco uniformes, entre outros.
"Outro ponto importante é que existe um percentual das áreas que é terceirizado. Quem realiza a colheita é um contratado. Ele geralmente recebe por área colhida e acaba não sendo tão cuidadoso como se fosse o próprio produtor colhendo. Ele quer saber de quantidade de sacas por dia, mesmo que tenha perda um pouco acima do tolerável. Hoje temos um cenário que pode ser melhorado, mas é necessário mudanças grandes. Além do problema direto da perda de dinheiro, o produtor, deixando plantas no campo, ainda terá que lidar com elas para evitar pragas e isso, claro, vai aumentar os custos", explica o pesquisador.
BOM EXEMPLO
Um trabalho que envolve o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Embrapa Soja e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) resultou no levantamento de prevenção e capacitação de operadores na redução de perdas da colheita de soja. A ideia é analisar diversas regiões do Estado, calculando perdas e orientando sojicultores a fazer as regulagens básicas da colhedora para diminuir o prejuízo. As avaliações iniciaram há quase quatro décadas, no município de Cambará, em 1978.
Na pesquisa acerca da safra 2014/15, divulgada em agosto, foram realizados 434 levantamentos em 28 cidades. Os números mostram que ano a ano as perdas são cada vez menores no momento de colher a oleaginosa. Se a perda média estadual aceitável é de uma saca de soja por ha, no levantamento recente as perdas médias foram de 0,55 saca por ha. No concurso promovido pelo Senar entre operadores de colheitadeiras para fomentar boas práticas, os números são ainda mais promissores: 0,28 saca por ha.
Um exemplo positivo desta evolução está no concurso realizado em Ibiporã. Se na safra 1998/99 a perda média nas áreas de soja durante a competição foi de 1,20 saca por ha, no último levantamento, o número caiu para 0,20 saca por ha, uma retração de 83%.
O técnico do Instituto Emater responsável pela elaboração e compilação dos dados, Antoninho Maurina, salienta que o Paraná é líder em redução de perdas de soja entre todos os estados brasileiros. "Mesmo assim, eu acredito que os produtores estão acomodados e necessitam evoluir. Muitos ainda não fazem as regulagens das colhedoras, que saem com configuração básica da loja, e não há nenhum tipo de trabalho específico em cima disso. O operadores também não são treinados para lidar com a potência e velocidade dos novos equipamentos e não os configuram para cada área especificamente", opina.
Entre as metodologias para medir tais perdas, a Embrapa Soja desenvolveu a tecnologia de um copo medidor bastante prático, disseminado pelo Senar e Emater e utilizado por produtores do Estado.


