Colheita atrasada deve concentrar recebimento das cooperativas

Toda essa inconstância no clima paranaense, que está dificultando a colheita da soja, já está preocupando as cooperativas em relação ao recebimento da oleaginosa. Com a colheita atrasada, principalmente no Oeste (já deveria ter colhido 2/3 do volume e colheu apenas 1/3), é bem provável que os grãos cheguem nas unidades de forma concentrada. Vale dizer que as cooperativas recebem 70% da produção estadual, que significa este ano algo em torno de 13,5 milhões de toneladas. "O pessoal já está com o alerta ligado em relação a esse recebimento. Já no que diz respeito à produtividade e qualidade, a expectativa é boa", salienta o engenheiro agrônomo e analista técnica da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Maiko Zanella.
Na Integrada, o recebimento na safra 16/17 foi de 1,1 milhão de toneladas de soja. Para o superintendente comercial, João Bosco, existe a expectativa de superar esse volume. "Tudo ainda está iniciando e a colheita está pegando corpo agora. A nossa expectativa é superar esse número. Não é fácil, mas estamos trabalhando para isso."
Para Bosco, o mais difícil é a estratégia na questão estrutural, de recebimento. Para não acontecer um apagão logístico, tudo tem que caminhar de forma perfeita. "A nossa capacidade estática é de um milhão de toneladas, mas o giro é de 2,3 milhões de toneladas em produto. Ainda temos muito milho e trigo nos armazéns."
Na opinião do superintendente comercial da cooperativa, o produtor que possui milho nos armazéns tende comercializar o cereal antes de negociar a oleaginosa. "Ano passado, o produtor colhia a soja e já vendia, porque pegamos o mercado em alta, mas caindo. Este ano, o ritmo de comercialização de soja está bem menor." (V.L.)





