Colégio agrícola produz remédios
Além de ensinar técnicas sobre produção agroindustrial e pecuária, um colégio agrícola em Foz do Iguaçu atende 58 escolas públicas da cidade, oferecendo medicamentos à base de plantas medicinais produzidos pelos próprios professores e alunos. É também a única escola do Brasil que mantém especialização em Fitoterapia, curso que conta atualmente com 120 estudantes.
O Colégio Agrícola Estadual Manoel Moreira Pena já completou 52 anos de existência. Em dois dos 80 hectares da fazenda-escola são cultivadas dezenas de ervas com um poder de cura bastante conhecido pelas gerações mais antigas, mas pouco difundido nos dias atuais. A idéia de criar um laboratório de produção e pesquisa de medicamentos fitoterápicos (produzidos à base de plantas medicinais) surgiu de um encontro entre técnicos e moradores da cidade, juntamente com professores do colégio, interessados nos benefícios de um produto natural e de baixo custo para a população.
A partir desse projeto, elaborado em 1995, surgiu o Centro Integrado de Educação, Natureza e Saúde (Ciens). A função dos biólogos e bioquímicos que trabalham no programa é desenvolver os remédios, acompanhando todo o processo de produção (colheita, secagem, armazenagem e embalagem dos medicamentos). Se incluírmos os cursos e palestras oferecidos pelo Centro, podemos dizer que cerca de 7 mil pessoas são atendidas todos os meses com nosso trabalho, explica o biólogo Sidnei de Oliveira, um dos responsáveis pelo Ciens.
Semanalmente, mais de 15 quilos de plantas desidratadas são estocados em gavetas até serem transformados em pomadas, tinturas, xaropes e chás. Ao contrário dos remédios alopáticos, tradicionais fórmulas químicas produzidas industrialmente e encontradas nas farmácias, a técnica da fitoterapia não isola o princípio ativo para oferecê-lo ao doente em doses concentradas. O segredo é curar e repor nutrientes ao mesmo tempo. Quando alguém usa um remédio contra dores musculares, por exemplo, vai se beneficiar com um anestésico natural, enquanto recebe vitaminas e sais minerais, entre outros complementos, comenta Oliveira.
A escola possui 160 estudantes. Por enquanto poucos trabalham na produção de plantas medicinais, transformando os canteiros em verdadeiros bancos genéticos de ervas já consideradas raras como o gravatá, a espinheira-santa e o tarumã. Esperamos contar com o trabalho dos 120 alunos que estão terminando a especialização. Também fazemos encontros e cursos para estimular agricultores da região a produzirem mudas dessas e de outras plantas, disse o presidente do Centro, Dilson Paulo Alves. Atualmente os remédios custam em média R$1,50 cada. O dinheiro é usado para compra de recipientes e álcool de cereal, matéria-prima para a confecção das fórmulas e que garante a conservação dos produtos. Vale lembrar, porém, que este preço é para as pessoas da comunidade que procuram nosso serviço. Para as escolas, a distribuição é gratuita, destaca o presidente.
Entre canteiros de jurubeba, salva-cidreira e pata-de-vaca, Alves explica ainda que, com a implantação de um laboratório e farmácia comunitários, prevista para os próximos meses, toda a população terá acesso aos produtos, pois a Secretaria de Saúde comprometeu-se a distribuir mil kits mensalmente em todos os postos de saúde da cidade. Fechamos uma parceria com a Itaipu, que nos cedeu o prédio e uma área com mais dois hectares. Hoje temos 50 espécies produzindo aqui. Nosso objetivo é ampliar o cultivo para 86 tipos diferentes de plantas, finaliza Alves.
Serviço:Para quem estiver interessado, começa segunda-feira e segue até o dia 23 deste mês o curso de Formação Básica em Fitoterapia. As aulas são divididas em cinco módulos, que começam na identificação das mais de 100 espécies cultivadas no canteiro-mostruário, até a produção comercial. O curso tem 60 horas e custa R$50,00. Informações diretammente no Ciens, pelo telefone: (operadora) 45-523-1729.





