Código Florestal estimula restauração da propriedade
Para recuperar uma APP ou RL existem vários caminhos. José Marcelo Trevisan, responsável pelo Laboratório de Biodiversidade e Restauração de Ecossistemas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que uma das técnicas mais utilizadas é o plantio de espécies nativas. O primeiro passo para realizar o processo, afirma ele, é a realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Depois de realizado o cadastro, o produtor terá que fazer, caso tenha passíveis ambientais, o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), que é um documento que aponta o que deve ser feito naquela área, com delimitação do local a ser recuperado, técnica de recuperação adequada, metodologia de ação, entre outras instruções necessárias para recuperar uma determinada área degradada. "Antes de começar o processo, deve-se avaliar o grau de degradação do solo e ver se há qualquer tipo de vegetação no entorno", salienta o especialista.
Trevisan completa que quando a paisagem não ajuda, ou seja, não há qualquer tipo de fragmento de mata no entorno da área degradada, o processo de recuperação é dificultado. A técnica a ser utilizada na propriedade varia de acordo com as necessidades da área e também com o bolso do produtor, já que algumas técnicas podem sair mais caras do que outras. "A universidade, quando possível, também ajuda o produtor a fazer a melhor escolha", completa o especialista.
Além disso, Trevisan salienta que existem viveiros comerciais na região que prestam serviços de recuperação de áreas degradadas. Os benefícios dessa ação, completa o especialista, abrangem toda a sociedade, já que o processo ajuda a regular o clima, conserva os recursos hídricos e, em alguns casos, a recuperação pode ser revertida em pagamentos ambientais.
Além disso, com o aumento da biodiversidade, proporcionado pelo estabelecimento de áreas de preservação, poderá haver um maior controle de pragas devido ao aumento dos inimigos naturais. Outro benefício é a regulação do clima na propriedade com as áreas de mata. "Um veranico não vem do nada, isso se deve à supressão vegetal", observa Trevisan.
Procura
Com o estabelecimento do novo Código Florestal, Emiliano Santarosa, analista de transferência de tecnologia da Embrapa Florestas, avalia que a procura pela recuperação de áreas degradadas aumentou. Ele avalia que cada região requer um tipo de técnica. "Também estamos tirando dúvidas de produtores em relação à metragem da área e demais detalhes", completa Santarosa. (R.M.)





