Coco x caféPaulo Sérgio da Silva: café superadensado para aproveitar o espaço ocioso e antecipar os lucrosCom o objetivo de diversificar a propriedade e buscar novas opções de renda, produtores de Primeiro de Maio, no Norte do Estado, estão investindo em uma cultura que até alguns anos atrás era vista apenas em locais próximos do mar: o coco-da-bahia. Outras regiões, como a de Paranavaí (Noroeste), também estão plantando o fruto que se tornou a sensação do verão no País, mesmo que longe da areia das praias.
A prova de que é possível produzir coco a centenas de quilômetros do Litoral está no município de Garça, no interior de São Paulo, onde tradicionais produtores atingem uma produtividade de até 200 frutos por pé ao ano. Esta realidade tem animado os agricultores norte-paranaenses, que tentam, porém, se manter conscientes dos riscos e das dificuldades que podem encontrar pela frente.
‘‘Meu maior medo é que a gente não consiga produzir frutos com padrão comercial’’, confessa Paulo César Tiago, que plantou 200 pés em 1,3 hectare, atualmente consorciados com feijão. Tradicional produtor de soja, milho e gado, ele acredita que, conseguindo produzir bem, a comercialização seria uma etapa fácil de ser vencida. ‘‘O comentário que a gente ouve em todo lugar é que a produção não dá para quem quer’’, observa.
Retorno demoradoA exemplo dos outros produtores, Tiago sabe que a produtividade da região pode não passar da metade daquela atingida pelos paulistas, e além do mais terá que esperar quatro anos para ver os coqueiros carregados e começar a ter o retorno do investimento feito, de aproximadamente R$ 1.200,00. Mas a espera é enfrentada com criatividade pelos novos fruticultores.
MÁrio CesarO agrônomo Augusto Evangelista e o produtor Paulo César Tiago observam muda de coco consorciado com feijão
Enquanto aguardam as primeiras safras, aproveitam os espaços entre cada pé de coco para plantar outras culturas. Paulo César plantou feijão e ainda está decidindo o que vai semear no verão. Já o produtor Paulo Sérgio Camilo da Silva optou pelo café superadensado na área de aproximadamente 2,5 hectares, onde plantou 600 coqueiros. Até colher os primeiros cocos, ele espera já ter ganho algum dinheiro com o café. ‘‘Depois, se for preciso, eu vou arrancando os cafeeiros mais próximos dos coqueiros, para não atrapalhar a produção da fruta’’, diz.
Ao todo, já são oito produtores de coco-da-bahia em Primeiro de Maio. São 2.800 pés, da variedade anão, plantados no mês de janeiro. A idéia é trabalhar em conjunto, vendendo cargas fechadas, por exemplo, destinadas ao mercado de São Paulo e do Litoral. ‘‘O que nós não queremos é ter que vender em beira de estrada’’, afirmam. As mudas foram trazidas de Saquarema (RJ), por intermédio da Emater, pelo preço de R$ 3,25 cada (incluindo o frete).
No caso de Paulo Sérgio, o custo de implantação do coqueiral, incluindo também a adubação (com esterco de gado, micronutrientes e superfosfato) e calcário, ficou em torno de R$ 3.500,00. Se for confirmada previsão de geada, talvez os produtores tenham algum custo adicional com mão-de-obra, pois terão que ‘‘vestir’’ cada coqueiro com sacos plásticos, já que a cultura é muito sensível a baixas temperaturas nos primeiros anos de plantio.
Potencial desconhecidoSegundo o engenheiro agrônomo Augusto Edson Evangelista, do escritório da Emater no município, as despesas estimadas com tratos culturais (adubação, capina e inseticida/fungicida) ficam em torno de R$ 400,00/ha/ano. Ele frisa porém que a iniciativa, por enquanto, não passa de uma experiência. ‘‘Só os anos vão dizer se a região de fato tem potencial para a produção de coco. Estamos pagando o preço do pioneirismo’’, define.
Augusto explica que as expectativas em torno do fruto se baseiam em informações obtidas na literatura, em experiências isoladas de pessoas que têm pés de coco produzindo bem no quintal e também nos preços atingidos pelo produto na Ceagesp, em São Paulo: ‘‘Na semana passada a cotação estava em R$ 0,70 por fruto. Mas no verão chega tranquilamente a R$ 1,00’’, afirma.

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