Meados de 1971 e a Cocamar, na época com apenas oito anos de existência, inaugurava sua moderna sede em Maringá. Para a solenidade, o ministro convidado, Luiz Fernando Cirne Lima, fez uma previsão que deixou os diretores da cooperativa surpreendidos. "Tudo é muito bonito, mas a cooperativa não terá futuro se ficar na dependência do algodão e do café." Tais lavouras eram responsáveis pelo surgimento do negócio, há exatos 50 anos.
Quase como um profeta, o ministro acertou em cheio. Orientados por Lima, diretores visitaram cooperativas de grãos no Rio Grande do Sul e se assustaram com o que viram: grandes armazéns graneleiros de 30 mil toneladas. Em 1972, o primeiro graneleiro estava pronto em Maringá para a soja – chamada, de forma pejorativa, de feijão de porco - e outros cereais. O que ninguém imaginava é que a famigerada geada de 1975 destruiria o sonho dos cafeicultores.
No ano do cinquentenário da cooperativa, os grãos são peça chave, entre outros negócios, para os recordes anuais de faturamento da Cocamar. De feijão de porco, a soja hoje é um grão extremamente valioso. Nos últimos cinco anos, o lucro da cooperativa saltou de R$ 1,39 bilhão para R$ 2,55 bilhões previstos para 2013, uma ascensão de 83%. Em 2015, a estimativa é atingir R$ 3 bilhões.
"O crescimento de uma empresa não é só um desejo, mas uma necessidade e uma exigência em face a um mercado extremamente concorrido e competitivo. Nós temos a percepção de que precisamos continuar crescendo e ganhando escala, pois as margens são pequenas e os custos não param de crescer", avalia o presidente da cooperativa, Luiz Lourenço.
Para ele, a própria estrutura fundiária do Paraná, em que 80% das propriedades têm média de 30 hectares, faz com que o cooperativismo seja primordial para a melhoria de qualidade de vida dos produtores e suas famílias. "Temos muitos cooperados de pequeno porte, por exemplo, que entregam toda a sua safra na Cocamar e fazem dela uma espécie de poupança. Não raro, acumulam várias safras e têm tranquilidade para fazer negócios quando surgem oportunidades. Com as cooperativas, portanto, os associados estão capitalizados e com bom poder aquisitivo, mesmo sendo pequenos, pois elas retornam a eles os seus resultados".
O cooperativismo consegue ainda potencializar a agricultura, beneficiando, inclusive, o Governo Federal. Para Lourenço, se o setor dependesse de recursos oficiais para construir armazéns, por exemplo, "estaria em situação muito complicada". Mais de 55% da soja produzida no Paraná passa pelos armazéns das cooperativas e isto acontece também com outros produtos agrícolas.
"A cooperativa constrói estruturas de recebimento, armazenamento, comercialização e industrialização das safras, fornece insumos, orientação técnica, faz dias de campo para apresentação de novas tecnologias e conhecimentos. Ela pode atuar como uma empresa comercial, mas nenhuma empresa comercial, por mais forte que seja, consegue oferecer o mesmo que uma cooperativa", ressalta Luiz Lourenço. (V.L.)

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