Coafas, de Londrina, combate êxodo rural
"Se tivesse trabalhando cada um por conta própria, muitas já teriam deixado a terra e ido para a cidade." É dessa forma que o produtor rural do distrito de Guaravera, Agnaldo Ferreira Bispo, define a importância do cooperativismo para os olericultores e fruticultores do Paraná. Após um temporada de oito anos em Rondônia, ele retornou ao Estado e percebeu uma dificuldade dos produtores da Região Norte: estava difícil vender a produção a preços dignos, fugindo da exploração dos atravessadores. Este foi um dos motivos para que ele se envolvesse em parceria com outros agricultores - na criação da Cooperativa da Agricultura Familiar Solidária (Coafas), em 2008.
Atualmente, a Coafas possui 266 associados e tem sede administrativa em Londrina. Os produtores englobam os distritos de Guaravera e Maravilha, além das cidades de Tamarana, Cambé, Ibiporã e Rolândia. A grande estratégia da cooperativa é vender 10% da sua produção total, por volta de 800 toneladas de verduras, legumes e frutas, para os programas que atendem o Governo Federal, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Este ano, a estimativa da Coafas é pleitear, entre projetos nos municípios e no Estado, por volta de R$ 1,7 milhão em recursos. Cerca de 70% do que é comercializado através destes programas são folhagens, pepino e tomate. O restante são frutas, principalmente laranja e poncã. "E olha que ainda entregamos pouco de nossa produção. Sabemos que é possível aumentar estes números. Hoje, só não ganha com a cooperativa aqueles que realmente não querem entregar os produtos para ela", explica o diretor da Coafas e produtor, Agnaldo Bispo.
Apesar do trabalho fluir com tranquilidade e dar resultados, Bispo salienta que um dos grandes desafios da cooperativa é a logística para a entrega dos produtos em cada distrito e cidade. Eles brigam para conseguir junto à prefeitura de Londrina um barracão, no qual poderiam criar um centro de distribuição para diversos pontos do município, além de oferecer à população frutas e verduras frescas diariamente. "Há tantos pontos em Londrina que estão inutilizados e qualquer um deles seria perfeito para nós. Hoje, o poder público da cidade não olha para nós com tanta atenção. Tudo é feito com a nossa força. Se não tivéssemos unidos, o êxodo rural entre os associados seria enorme", complementa o olericultor. (V.L.)





