CNA insiste na liberação de fungicidas
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sexta-feira, 17 de setembro de 2004
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
Com a proximidade do plantio da safra de soja e a compra de insumos que serão utilizados nas lavouras a questão da ferrugem asiática tem deixado os agricultores em alerta. Na safra passada o aparecimento da doença causou a quebra de aproximadamente 5 milhões de toneladas e prejuízos de US$ 2,2 bilhões aos produtores, resultado da redução de produção e maiores gastos com defensivos.
Para evitar que isso se repita na safra 2004/2005, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Governo Federal ações para facilitar o combate à doença. Segundo Alécio Maróstica, representante da CNA, é preciso haver maior rapidez na liberação do registro de novos fungicidas, para evitar a falta do produto no mercado, como ocorreu no ano passado.
Estudo da CNA indica que serão necessários 26 milhões de litros de fungicida para atender o plantio da nova safra de soja, considerando duas aplicações do produto no combate à ferrugem asiática. No ano passado, segundo Maróstica, o consumo atingiu 16 milhões de litros, quantidade insuficiente para combater eficazmente a doença. ''A escassez do produto, aliada à demora na aplicação, levou à redução da colheita'', disse o representante da CNA. Os produtores, segundo ele, foram prejudicados porque tiveram de pagar quase o dobro pelo mesmo produto.
Na safra passada, revela Maróstica, um litro de fungicida para evitar a infestação da ferrugem chegou a ser vendido por R$ 240, enquanto que o normal, em média, seria de R$ 120. ''Hoje os preços voltaram ao normal, mas precisamos ter garantia de abastecimento, dando sustentação à produção e evitando novas altas de custos'', disse Maróstica.
A demora no registro de novos fungicidas capazes de evitar a ferrugem asiática preocupa os produtores de soja, pois é fator limitante da oferta desse tipo de produto, considera Maróstica. Atualmente, segundo dados da CNA, existem 19 marcas com registro que podem ser comercializadas e mais cinco novos produtos esperando a liberação de registro. ''Caso fossem autorizados pelo Governo, seria reduzido o risco de haver desabastecimento. É preciso agilidade nas ações de combate À ferrugem asiática, pois essa doença está atacando a lavoura brasileira que mais tem gerado recursos de exportações.''
No ano passado, destaca o representante da CNA, o complexo soja (farelo, óleo e grão) foi responsável por remessas de US$ 8,1 bilhões. Sem a ferrugem asiática, a produtividade média brasileira atingiu 2,8 t/ha, sendo uma das melhores do mundo. Com a ferrugem, a produtividade caiu para 2,4 mil t/ha, e com aumento de custo de produção. ''Mas com a atual tecnologia, há como recuperar os índices de produtividade anteriores'', disse. Com a adoção de uma política eficaz na administração da incidência da ferrugem asiática, lembra Maróstica, a produção brasileira de soja pode chegar a 60 milhões de t na próxima safra, contra 49,7 milhões na colheita passada.


