CNA diz que agricultura suporta dólar a R$ 2,80
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) nega que os agricultores estejam apreensivos. Ela informou esta semana que uma cotação de até R$ 2,80 ainda seria favorável para as exportações.
''A agricultura brasileira é competitiva. Não há a menor possibilidade de formação de lobby para pedir uma intervenção do governo no câmbio'', diz Antonio Beraldo, chefe do departamento internacional da CNA, em entrevista à Agência Folha. A entidade analisou o assunto esta seana.
O economista Roberto Gianetti da Fonseca, da equipe econômica do governo FHC, concorda. A taxa de câmbio é um fator importante na definição dos preços do comércio exterior. Um dólar abaixo de R$ 3 prejudica muitos setores, mas o setor agrícola tem uma competitividade muito acentuada'', afirma.
Segundo previsões da CNA, com um dólar entre R$ 3 e R$ 3,10, a balança comercial do agronegócio deve fechar 2003 com exportações de US$ 28 bilhões contra US$ 24 bilhões em 2002. O valor de importações deve permanecer estável em cerca de US$ 4 bilhões.
O complexo da soja é o carro-chefe do comércio exterior agrícola. No primeiro trimestre deste ano, a soja ficou com uma fatia de 18% das exportações do agronegócio. Quando o volume total das exportações é levado em consideração, a participação é de 6,7%.
Miyamoto - A valorização do real preocupa os produtores de soja, já que a queda do dólar para um patamar próximo de R$ 3,10 no final de abril pode levar a uma redução no preço recebido pelos produtores. Entretanto Iwao Myiamoto, presidente da Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), declara que não há motivo para ser alarmista. ''Desvalorização, valorização do câmbio. Tudo isso faz parte do risco do negócio. Pior que a variação do câmbio é a ferrugem da soja'', afirma. A doença ameaça a safra em Mato Grosso. No caso das exportações de frango, fatores internos também são mais relevantes que a valorização do real. ''O nosso principal problema são os preços deprimidos no mercado internacional'', diz Júlio Cardoso, presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Frango.





