CNA considera pacote insuficiente
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sexta-feira, 26 de junho de 1998
Da Redação 
O plano para a safra agrícola 98/99, anunciado pelo ministro da Agricultura, Francisco Turra, contém alguns aspectos positivos mas é, em sua essência, um conjunto de medidas que dificilmente tirará o País do atual patamar de 80 milhões de toneladas de grãos. Esta é a avaliação do Departamento Técnico e Econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Segundo o chefe do departamento, o economista Antônio Donizeti Beraldo, o total de R$10 bilhões anunciados para o crédito rural representa evolução em relação ao ano passado, mas é uma cifra modesta se comparada com a média anual de R$24,8 bilhões de recursos para o crédito rural liberados ao longo da década de 80.
A taxa de juros anunciada para o crédito de custeio, de 8,75%, que será aplicada nos R$5,5 bilhões de crédito sujeitos à equalização de juros, é considerada alta pela CNA. Se estamos trabalhando com uma expectativa de inflação da ordem de 3,5% neste ano, o setor agropecuário deveria ter taxas de juros em torno de 5%, o que seria compatível com as taxas internacionais, analisa Donizeti. Na sua opinião, se a agricultura brasileira está se adaptando à globalização, perseguindo padrões internacionais de competitividade e enfrentando a competição de produtos importados, as taxas de juros também deveriam ser globalizadas.
A avaliação da CNA é que o pacote anunciado pelo Ministro da Agricultura não contemplou a necessidade de se eliminar a competição predatória de alguns produtos importados. O algodão, por exemplo, é comprado no Exterior com prazo de 400 dias para pagamento, prejudicando a venda do produto nacional no mercado interno.
O aumento de recursos destinados à agricultura familiar, de R$1,7 bilhão para R$2,3 bilhões, através do Pronaf, é considerado um fato positivo pelos economistas da CNA. E o reconhecimento, por parte do governo, da importância desse segmento, diante das altas taxas de desemprego no campo que, segundo o IBGE, fechou 5 milhões de postos de trabalho nos últimos dez anos.


