Os dados científicos apresentados por organizações ambientais não convencem algumas entidades e ruralistas que estão a favor do Projeto de Lei do deputado Aldo Rebelo. Um dos trabalhos mais intensos a favor das mudanças no Código Florestal é o da senadora Kátia Abreu (DEM/TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Ela ressalta que existem cientistas a favor da mudança do Código e outros que discordam dela. ''Alguns anos atrás tínhamos cientistas contra e outros a favor da transgenia. Levamos o debate democraticamente ao Congresso Nacional e venceu a maioria. Eu acredito que há pontos negociáveis desde que exista uma comprovação científica''.
Entretanto, a presidente da CNA é contundente no momento de defender algumas das questões mais discutidas do Projeto de Lei. No quesito da Reserva Legal (RL), Kátia comenta que se ela é imprescindível, a lei deveria ser universal. ''Se fosse tão importante, (a RL) seria recomendada para os Estados Unidos, Japão e Europa, que não possui nem 1% de sua mata nativa. E porque essa recomendação é só para o Brasil? Será que é justo o País reduzir a sua área plantada de arroz e importá-lo da China, que não possui RL e Código Florestal?'', questiona.
Em relação à suspensão das multas aplicadas por crimes ambientais antes de julho de 2008, a senadora explica que 90% dos produtores brasileiros não cometeram nenhum tipo de infração. ''Eles não estão atrás de anistia, estão atrás de justiça, já que desmataram antes das percentagens da RL serem modificadas por lei''.
Essas mudanças na legislação ambiental ao decorrer dos anos sem respaldo científico também são alvo de crítica por parte da senadora. Ela diz que quando ocorreram mudanças na metragem das APPs e da RL não houve apresentações técnicas para explicar tais alterações. ''Até hoje o Código Florestal foi modificado através de decretos e sem votações. As mudanças na lei ao decorrer dos anos fez com que os produtores se tornassem criminosos, sendo nítido que foi a lei quem avançou sobre eles. Agora, o Congresso Nacional é a representação da sociedade, é a hora dos parlamentares fazerem valer a realidade dos seus estados'', complementa.
Já Reinhold Stephanes, ex-ministro da Agricultura, relata que no Mapa é onde está a maior concentração de especialistas em meio ambiente do Brasil e que o relatório de Aldo Rebelo tem base na ciência e evita o debate ideológico. ''É um Projeto de Lei muito bom, que pode até sofrer um ajuste ou outro. Em relação a atitude de alguns ambientalistas, acho que muitas vezes a discussão fica complicada porque eles não aceitam o debate racional. Acredito que se o Projeto for aprovado, o Brasil vai estar dando um grande passo'', finaliza. (V.L)

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