Organizados politicamente através da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil, que atua conforme as propostas das federações estaduais e sindicatos rurais, o sistema CNA obteve importantes conquistas em 2003 nas áreas tributária, de política agrícola, crédito rural, preços mínimos, programas de investimentos, pequeno produtor, dívidas agrícolas, setor fundiário, legislação trabalhista e previdenciária.
Os avanços também alcançaram os setores de biotecnologia, sanidade animal, meio ambiente, pecuária de corte e leite, negociações internacionais, além de cafeicultura, cana-de-açúcar, fruticultura e demais segmentos agropecuários.
Segundo Antônio Ernesto de Salvo, presidente da CNA, as melhorias foram precedidas de forte atuação junto ao Governo Federal e Congresso Nacional.
''O agronegócio é o segmento mais importante para o país e, portanto, deve ser tratado com respeito e reciprocidade'', argumenta Ágide Meneguette, presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Ele vê a sociedade finalmente reconhecer o esforço da agropecuária e apela aos produtores rurais para se unirem em torno de suas entidades representativas. ''Elas são as legítimos representantes do campo tanto do ponto de vista legal quanto político'', observa.
Tributação - Avanços na área de tributação: menor alíquota ou isenção de ICMS sobre insumos agropecuários; inclusão na Constituição Federal de tratamento jurídico diferenciado aos produtores rurais - pessoas físicas. Eles representam 99% do total de empreendedores do campo. Outro ponto destacado foi a não incidência de ITR sobre florestas e formas de vegetação permanente consideradas de preservação permanente, bem como sobre aquelas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola ou pecuária; mudança na Lei 10.637 (dezembro/2002), que vetou a concessão de crédito presumido às agroindústrias nas compras de produtos agropecuários originários de produtores rurais - pessoas físicas - evitando-se pressões baixistas sobre os preços recebidos pelos agropecuaristas
Crédito Rural - Ganhos para os produtores em realação ao crédito rural: manutenção da taxa de juro pré-fixada para recursos controlados do crédito rural em 8,75% ao ano; solicitação de R$ 44 bilhões para financiamento de custeio e comercialização desta safra. Embora o Governo tenha aprovado R$ 32,5 bilhões, mesmo assim este valor representa aumento de 25,8% em comparação à safra anterior, segundo a Faep.
Houve aumento nos limites de financiamento de custeio de arroz irrigado e algodão, bem como crédito para financiamento da colheita e estocagem de café. O café foi contemplado com R$ 200 milhões para financiamento das despesas de custeio neste ano agrícola. E redução dos juros de 13% para 9,5% nos financiamentos de colheita e estocagem de café em 2003/04
Preços mínimos - O preço mínimo de garantia incluiu novos produtos. Houve aumento nos preços mínimos de algodão em pluma, arroz longo fino, milho e feijão; inclusão de leite e café na política de garantia do preço mínimo.
Investimentos - Renovação e simplificação na forma de operacionalização de programas de investimentos pelos bancos que receberam nova dotação orçamentária de R$ 2 bilhões. A CNA destaca ainda a aprovação do Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (Moderagro). Houve aumento em 50% do crédito de custeio para pecuária de leite, passando de R$ 60 mil para R$ 90 mil por produtor
Questão fundiária - Ação cautelar inominada pela CNA com liminar favorável contra instrução normativa do Incra que estabelecia diretrizes para fixação do Módulo Fiscal de cada município, bem como procedimentos para cálculos do Grau de Utilização da Terra e do Grau de Eficiência na Exploração; disponibilização de programa de informática para preenchimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA).

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