Clones permitem rápida produção de mudas
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sexta-feira, 16 de maio de 2003
Célia Guerra<BR>Reportagem Local 
Rápida multiplicação, mudas livres de doenças, rendimento até 40% maior, perpetuação de espécies hoje em extinção, como é o caso de algumas plantas medicinais, como o ginseng brasileiro (Pfaffia glomerata). Estas são as principais características da biotecnologia vegetal que está sendo desenvolvida pela Biofábrica instalada na Fazenda Experimental da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Tamarana (62 quilômetros ao sul de Londrina).
Construída há três anos com tecnologia da Universidade Agrária de Havana (Cuba), a Biofábrica da Unopar detém o know how da clonagem de plantas, utilizando o processo de produção de mudas in vitro (dentro de vidros). O carro-chefe do laboratório, segundo o professor Héctor Vento Díaz, diretor do projeto da Biofábrica, é a pesquisa para produção de mudas de três tipos de bananas (maçã, grande nanie e nanicão).
A pesquisa com plantas medicinais teve início há dois anos, com a produção de mudas do capim-limão ou capim-cidreira, por solicitação de uma fundação da região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Utilizando a mesma tecnologia de produção, o processo foi extendido ao ginseng, cujas raízes são conhecidas em todo o mundo como energizante (alivia o estresse) e dotadas de propriedades afrodisíacas. A planta, segundo a professora Heloísa Helena Franzon Campana, que dirige o projeto, é encontrada nas barrancas do Rio Paraná, na região do Parque Nacional de Ilha Grande (noroeste do Estado, divisa com o Mato Grosso do Sul). O risco de extinção foi promovido pelo extrativismo desordenado que continua ocorrendo.
A biofábrica, segundo a professora, trabalha a clonagem do ginseng, através de duas técnicas específicas, a cultura de gemas e a embiogênese somática. Na técnica da cultura de gemas, o material vegetal é retirado das gemas apicais e axilares de plantas jovens, após um processo eficiente de desinfecção. As gemas são divididas em segmentos com um ou dois nós e colocadas parcialmente submergidas em tubos de ensaio com nutrientes que favorecem o seu crescimento.
Já a técnica de embriogênese somática, a reprodução ocorre com parte da folha (cerca de um centímetro quadrado), mergulhada em um meio de cultura. Desse pedaço de folha brotam alguns calos, que são retirados e colocados em novo meio de cultura, de onde saem diversos embriões da planta. A multiplicação de mudas é maior através da embriogênese. Os professores destacam que o processo de repicagem de uma planta é de no máximo 1.200 mudas, para que não se corra o risco de uma variabilidade genética.
Heloísa e Héctor destacam, entretanto, que a clonagem de plantas não promove mudanças na engenharia genética delas, mas garante a produção de mudas mais tolerantes a pragas e doenças. Isso porque as características genéticas são retiradas de plantas selecionadas, consideradas de elite. Elas levam as mesmas características da mãe, garantem.


