Clonagem vegetal mais acessível
UEL inaugura Laboratório de Clonagem Vegetal, que vai atender alunos e também produtores
Cristina Côrtes

PreservaçãoO trabalho de clonagem vegetal começou há quase 40 anos, acidentalmente com o cultivo de orquídeasUtilizada em larga escala por produtores de frutas e flores de outros países, a clonagem vegetal estará mais acessível para os produtores da região, depois da inauguração do Laboratório de Culturas de Tecidos Vegetais, do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A técnica de cultura de tecidos vegetais, descoberta há quase quarenta anos na França, iniciada por acaso com o cultivo de orquídeas, ainda é uma prática pouco utilizada pelos produtores da região. Primeiro pela falta de tradição em fruticultura e floricultura, e depois por falta de orientação e assistência técnica. ‘‘O laboratório pretende aperfeiçoar a formação de alunos de graduação e pós-graduação da agronomia, mas também quer desenvolver trabalho de extensão junto a produtores ’’, destaca o professor Ricardo Tadeu de Faria, responsável pelo laboratório.

O professor Ricardo Tadeu de Faria diz que a técnica é simples e pode ser feita por qualquer produtorVantagensAs principais vantagens da técnica de clonagem vegetal são a produção de plantas de melhor qualidade, a uniformidade, a produção de plantas livres de patógenos e a rapidez de multiplicação. A orquídea, por exemplo, no processo natural de multiplicação pode levar até quatro meses para germinar. Dentro de uma cápsula com mais de 1 milhão de sementes, apenas algumas chegam a germinar, enquanto o resto perde-se ao vento, sem encontrar o lugar adequado para se instalar. Na multiplicação in vitro a germinação no meio de cultura ideal leva aproximadamente 15 dias, e se pode aproveitar todas as sementes produzidas pela planta.

A cultura de tecidos é utilizada muito antes do surgimento da engenharia genética. Mas hoje é uma técnica auxiliar importante nos procedimentos da biotecnologia, inclusive para obtenção das plantas transgênicas.
PreservaçãoO laboratório da UEL vai desenvolver duas linhas principais de trabalho: primeiro a clonagem de material seletivo através da cultura de meristema, com fins comerciais de multiplicação de mudas; a outra com fins ecológicos, visando, através da semeadura in vitro, a preservação das orquídeas nativas do Paraná, que estão ameaçadas de extinção. As plantas desenvolvidas no laboratório, além de suprir as pesquisas, serão reintroduzidas em locais devastados e, futuramente, poderão ser comercializadas.
O professor Ricardo tem mestrado e doutorado na área de Genética na Unicamp e está na UEL desde julho do ano passado. É responsável pelas disciplinas de floricultura e paisagismo.
Com capacidade para produzir em média 5 mil plantas por mês, a prioridade do trabalho são plantas ornamentais, iniciando com orquídeas, e no futuro algumas frutíferas como morango e banana, além de plantas medicinais. ‘‘As mudas de morango cultivadas na região são importadas em grande parte de São Paulo, e com o laboratório poderemos no futuro produzir as mudas aqui mesmo’’, diz Ricardo.
Estão previstos também projetos de extensão. ‘‘Em parceria com a Emater pretendemos fazer a propagação de outras plantas ornamentais que apresentem um bom mercado para comercialização, como gérberas, samambaias e antúrios’’, comenta Ricardo. Serão oferecidos vários cursos para quem já é produtor e também para quem quer se iniciar na atividade.

BiofábricasEm outros países é bastante comum os próprios produtores terem seus laboratórios para multiplicação de plantas em suas propriedades, as chamadas biofábricas. Segundo o professor Ricardo, aqui no Brasil isto também já começa a acontecer em São Paulo e deve se ampliar em outras regiões. ‘‘O produtor de flores ou frutas que deseja aumentar sua rentabilidade precisa buscar qualidade de produção, e deve começar em breve a produzir suas próprias mudas. Queremos mostrar que esta técnica não é difícil, podendo ser desenvolvida por qualquer produtor’’, diz Ricardo.
As instalações para o laboratório não são caras e num pequeno espaço é possível obter bons resultados. O custo médio, hoje, para a instalação de um laboratório com capacidade de produção de 6 mil plantas por mês, é de R$15 mil. A Associação dos Produtores de Orquídeas de Londrina já se interessou pelo trabalho desenvolvido na Universidade, e segundo Ricardo, em Londrina um produtor de flores está disposto a montar sua biofábrica.
Em São Paulo existem atualmente 15 laboratórios trabalhando com orquídeas, e a produção de diversos tipos de flores vem ganhando espaço num mercado que cresce a dia, segundo Ricardo. Destacando que a produção de flores é uma atividade altamente rentável e geradora de empregos, o professor diz acreditar que esta possa ser uma excelente alternativa para pequenos produtores na região de Londrina.

mockup