Clonagem permite reprodução de mudas de bromélias
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sexta-feira, 18 de maio de 2001
Carolina Avansini De Londrina 
Evitar a exploração clandestina e predatória de bromélias nativas da Mata Atlântica e ao mesmo tempo viabilizar a comercialização legal das plantas é o objetivo do Projeto Bromélias, desenvolvido pela empresa paulista Atlântica Assessoria Ambiental, de Registro (200 km de São Paulo), que em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está pesquisando tecnologias para reprodução das espécies.
Através da clonagem de matrizes, são obtidas mudas para comercialização. As bromélias tem alto valor comercial. Nativas da família Vriesea, chamadas popularmente de tigradas, chegam a valer R$ 200, dependendo do tamanho. Nas redes de supermercado, algumas plantas são vendidas por R$ 20, afirmou o engenheiro agrônomo Ronaldo Ribeiro, da empresa de assessoria.
ReproduçãoO processo de reprodução das bromélias começa com o levantamento de campo, quando agrônomos identificam, na Mata Atlântica, as espécies mais bonitas, que possivelmente alcancem maior valor comercial. Ao encontrarem uma planta interessante, coletam uma ou duas matrizes, que são enviadas para o Laboratório de Biotecnologia do Núcleo de Ciências Agrárias da UFSC. A retirada da matriz é autorizada pelo Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Natuarais (DEPRN/SP), comentou Ribeiro.
Na universidade, pesquisadores investigam a tecnologia para multiplicar a planta através da biotecnologia. A reprodução é feita por cultura de tecidos, mais conhecida por clonagem, explicou, ressaltando que cada espécie exige um processo diferente, adaptado às suas características.
Após a descoberta da técnica para multiplicação, a planta clonada vai para o laboratório da empresa em Registro, onde são produzidas as mudas. Cada clone fica no laboratório por aproximadamente seis meses, para que se desenvolvam melhor antes de serem encaminhados aos viveiros produtores de bromélias.
ComercializaçãoA Atlântica está selecionando viveiristas que serão parceiros do projeto. A eles, caberá a responsabilidade de cultivar as mudas para posterior venda. Como a pesquisa começou há apenas dois anos, as plantas ainda não estão sendo comercializadas em larga escala mas, segundo Ronaldo, já existem unidades disponíveis para possíveis compradores.
O preço das mudas com seis meses, plantadas em tubetes, custa de R$ 1 a R$ 1,20, dependendo da quantidade solicitada. Quando estão grandes, podem ser vendidas a R$ 5, agregando lucros de até 400% aos viveiristas, que passam a integrar um mercado promissor.
A Atlântica Assessoria Agroambiental tem capacidade para produzir até 300 mil mudas por ano, de acordo com o engenheiro agrônomo, mas a média de produção anual, hoje, é de 30 mil. Não queremos nos precipitar, pois o projeto ainda é recente, analisou.
A empresa já reproduziu em laboratório três espécies de bromélias típicas da Mata Atlântica: Aechmea fasciata, vriesca e neoregelia. Dentro de um ano, pretendemos disponibilizar cinco espécies, adiantou.
PreservaçãoO interesse comercial pelas plantas viabiliza o desenvolvimento do projeto. O agrônomo explicou que a idéia, porém, nasceu da preocupação com as extrações ilegais que acontecem no litoral paulista, passíveis de causarem a extinção de algumas espécies. Em Peruíbe (litoral sul), os índios vendem as bromélias para intermediários, que ficam com o maior lucro, comentou.
Ele também disse que no Ceagesp, em São Paulo, plantas são vendidas sem controle e licença. A extração predatória é muito comum. O problema deve ser frequente no Paraná, principalmente no litoral, avalia.
Cultivo As bromélias se desenvolvem bem em regiões úmidas e quentes. Por isso, são abundantes na Serra do Mar, cujas condições climáticas favorecem seu crescimento. Ronaldo Ribeiro acredita que as plantas possam ser cultivadas em outras regiões, desde que o viveiro possua as características adequadas.
Ele não conhece, porém, a reação das mudas às geadas que acometem o Paraná no inverno. Seria preciso realizar uma pesquisa para descobrir o comportamento das plantas, analisou.
Como plantarNo livro Orquídeas e Bromélias - Manual prático para cultivo, o autor Sérgio Inácio Englert explica que as bromélias devem ser cultivadas em vasos, caixas ou cascas de árvores.
Para plantá-las, é preciso cobrir 20% da altura do vaso com cacos de cerâmica ou pedra lascada, para depois posicionar a espécie escolhida no centro do vaso e cobrir as raízes ou a base onde elas se formarão com o substrato escolhido. Os mais utilizados são casca de pinus, casca de coco, saibro moído, rolhas de cortiça ou misturas de dois desses ingredientes. Segundo Englert, a adubação mais recomendável é a foliar na forma líquida.
O autor também orienta sobre como construir um bromeliário, que deve ser posicionado de forma que permita a maior exposição possível das plantas ao sol da manhã, durante o inverno. A aplicação do sombrite com telado de 50% a 70% também é importante, informou Ronaldo Ribeiro, pois as bromélias são plantas de sombra. Em regiões muito chuvosas ou frias, a colocação de uma lona de plástico transparente ameniza a ação das intempéries, escreveu Sérgio Englert.


