A previsão climática da meteorologia para a safra 2004/05 pode tirar o sossego dos agricultores. Depois de chuvas constantes nos últimos dias - atrapalhando trabalhos de colheita da safra de inverno e plantios da safra de verão -, o prognóstico, daqui para frente, é de períodos de chuvas irregulares, inclusive com a possibilidade de veranicos até o final do ano.
Por enquanto, o comportamento do clima está sob o efeito do que os meteorologistas chamam de fase de neutralidade, a exemplo do que aconteceu no final do ano passado. Essa influência deverá permanecer até meados de março. A seguir o clima passa a sentir os efeitos do fenômeno El NiÀo.
Segundo Luiz Renato Lazinski, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologista (InMet) em Curitiba, a fase de neutralidade, que age sobre o clima de agora até março do ano que vem, se caracteriza por chuvas mal distribuídas, com períodos de seca e mudanças na temperatura, intercalando ondas de frio, com ondas de calor. ''Até janeiro poderemos ter temperaturas abaixo do normal,'' revela.
As adversidades climáticas criadas numa fase de neutralidade, segundo a meteorologia, podem trazer problemas para a safra de verão, especialmente para a soja. Quem plantou o grão mais cedo, por exemplo, poderá ter dificuldades. Se a lavoura enfrentar períodos de seca no florescimento ou na fase de enchimento de grãos, certamente terá sua produtividade afetada, como aconteceu na safra passada.
Os problemas podem continuar se for confirmada a entrada do El NiÀo. Em janeiro o fênomeno estará no Oceano Pacífico. Em anos de atuação do El NiÀo, as chuvas são bem distribuídas, com temperaturas amenas, facilitando a ação de doenças.
A ferrugem asiática que ataca a soja, por exemplo, se desenvolve sob ação de chuvas constantes, clima úmido, com temperaturas amenas. Um clima assim, na fase de maturação do grão, seria uma porta aberta para a ferrugem ou outras doenças.
No verão o El Ninõ pode beneficiar as culturas da época. O diferencial deste ano é que, se confirmada a ocorrência, sua a ação sobre o Sul do País se dará no final da safra e em período da colheita. Para quem ainda não plantou a soja a recomendação é fazer um escalonamento e, com isso, reduzir riscos.
Na região de Ponta Grossa, de atuação da Cooperativa Agrícola Mista (Coopagrícola), essa deverá ser a recomendação para os agricultores que estão em fase final da colheita do trigo. Ali, metade da área que vai receber a soja ainda não está colhida do trigo cultivado no inverno, também em decorrência das adversidades climáticas. Segundo o agrônomo Sérgio Inoue, da cooperativa, a safra de trigo atrasou este ano. ''Foi a seca que provocou um desenvolvimento e maturamento desuniforme no trigo.''
Se o El NiÀo pode ''atrapalhar'' a safra da soja, já a safrinha de milho poderá ser beneficiada pelo fenômeno. A previsão é de chuvas mais abundantes, acima da média, para o plantio. A ação do El NiÀo sobre a safrinha favoreceria a cultura, que normalmente é plantada no outono/inverno, um período caracterizado como seco.
Com o fenômeno provocando mais chuvas a lavoura seria recompensanda em melhor desenvolvimento. Outro benefício, segundo o meteorologista, é que em anos de El NiÀo os riscos de geada são bastante reduzidos.
No Paraná, segundo números do Deral da Secretaria Estadual de Agricultura, a projeção é de aumento de aproximadamente 15% na área de milho que será cultivado no inverno, após a soja. No último inverno o Paraná plantou 1 milhão 168 mil hectares.

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