O calor e o excesso de chuvas registrados no Paraná em agosto e setembro devem provocar um recuo de 10% no volume de produção de trigo nesta safra. A perspectiva agora é de uma colheita de 2,13 milhões de toneladas do cereal, ante as 2,37 milhões de toneladas projetadas para um cenário desenhado de produtividade normal.

A projeção foi feita pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento). A expectativa inicial de produtividade era de cerca de 54 sacas por hectare, mas, devido às temperaturas acima da média e ao excesso de chuvas recentes, a projeção atual caiu para 49 sacas. O trigo ocupa uma área estimada em 727 mil hectares no Paraná.

“Esse recuo de 10% na produção, somado ao aumento das cotações internacionais, tem mantido os preços em patamares superiores aos da entressafra, mesmo com quase metade da colheita já concluída no estado, sendo o Paraná o segundo maior produtor do cereal no Brasil”, destaca Hugo Godinho, agrônomo do Deral.

O técnico explica que, por um lado, essa valorização dos preços ajuda a equilibrar as contas dos produtores, mas por outro encarece a fabricação de farinhas.

“Com pouca disponibilidade para abastecimento no mercado local e escassez ainda maior de trigo de qualidade regional, os moinhos paranaenses terão que buscar suprimentos em outros estados, sendo o Rio Grande do Sul a única opção nacional onde a oferta deve superar a demanda.”

Ele acrescenta que, quando essa fonte se esgotar, Paraguai e Argentina também devem ganhar espaço como fornecedores para a indústria moageira do Paraná, que em 2025 foi responsável por 30% da produção nacional de farinhas, segundo dados da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo).

Apesar dos dados paranaenses, as estimativas para o Brasil não devem sofrer alterações significativas. “Assim, eventuais mudanças no panorama nacional dependerão do desempenho de outros estados produtores, em especial o Rio Grande do Sul, que se mantém na liderança da produção nacional”, conclui.

A estimativa atual para o Brasil é de um volume de trigo de 5,7 milhões de toneladas, volume 27% menor do que o registrado na safra anterior.

QUEDA

Com propriedade em Tibagi (Campos Gerais), o produtor Guilherme Frederico de Geus Filho relata que o excesso de chuvas em agosto e setembro deixou a lavoura de trigo mais propensa a doenças. “Acredito que nossa produção será 30% menor”, projeta.

Guilherme Filho projeta quebra de 30% na safra de trigo por conta do tempo
Guilherme Filho projeta quebra de 30% na safra de trigo por conta do tempo | Foto: Arquivo Pessoal

Nesta safra, o produtor plantou 100 alqueires de trigo, com a expectativa de concluir a colheita do cereal em outubro.

De acordo com ele, a questão do tempo reduziu de maneira significativa a produtividade – uma queda de 80 sacas por hectare para 60 sacas. “Hoje o clima e a questão da política agrícola são os nossos maiores desafios. Precisamos que as políticas públicas auxiliem na produção de trigo, que subsidiem o seguro da cultura. Não temos mais ajuda”, conclui.

Rodrigo Arnt cultivou cerca de 700 hectares de trigo em sua propriedade
Rodrigo Arnt cultivou cerca de 700 hectares de trigo em sua propriedade | Foto: Arquivo Pessoal

O produtor Rodrigo Ernesto Arnt cultivou neste ano cerca de 700 hectares de trigo na sua propriedade em Tibagi. A expectativa é de concluir a colheita até a primeira quinzena de novembro, se a chuva não atrapalhar. “A produtividade foi afetada principalmente no final de ciclo. A respeito do trigo, teve chuva, calor, além de doenças como giberela, brusone e mal-do-pé que se proliferaram”, pontua. Ele calcula que a produtividade média na região deverá ficar entre 48 e 53 sacas por hectare.

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