Clima provoca recuo na produção de trigo no Paraná
Deral projeta volume da safra do cereal 10% menor em função do calor e do excesso de chuvas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Deral projeta volume da safra do cereal 10% menor em função do calor e do excesso de chuvas
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

O calor e o excesso de chuvas registrados no Paraná em agosto e setembro devem provocar um recuo de 10% no volume de produção de trigo nesta safra. A perspectiva agora é de uma colheita de 2,13 milhões de toneladas do cereal, ante as 2,37 milhões de toneladas projetadas para um cenário desenhado de produtividade normal.
A projeção foi feita pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento). A expectativa inicial de produtividade era de cerca de 54 sacas por hectare, mas, devido às temperaturas acima da média e ao excesso de chuvas recentes, a projeção atual caiu para 49 sacas. O trigo ocupa uma área estimada em 727 mil hectares no Paraná.
“Esse recuo de 10% na produção, somado ao aumento das cotações internacionais, tem mantido os preços em patamares superiores aos da entressafra, mesmo com quase metade da colheita já concluída no estado, sendo o Paraná o segundo maior produtor do cereal no Brasil”, destaca Hugo Godinho, agrônomo do Deral.
O técnico explica que, por um lado, essa valorização dos preços ajuda a equilibrar as contas dos produtores, mas por outro encarece a fabricação de farinhas.
“Com pouca disponibilidade para abastecimento no mercado local e escassez ainda maior de trigo de qualidade regional, os moinhos paranaenses terão que buscar suprimentos em outros estados, sendo o Rio Grande do Sul a única opção nacional onde a oferta deve superar a demanda.”
Ele acrescenta que, quando essa fonte se esgotar, Paraguai e Argentina também devem ganhar espaço como fornecedores para a indústria moageira do Paraná, que em 2025 foi responsável por 30% da produção nacional de farinhas, segundo dados da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo).
Apesar dos dados paranaenses, as estimativas para o Brasil não devem sofrer alterações significativas. “Assim, eventuais mudanças no panorama nacional dependerão do desempenho de outros estados produtores, em especial o Rio Grande do Sul, que se mantém na liderança da produção nacional”, conclui.
A estimativa atual para o Brasil é de um volume de trigo de 5,7 milhões de toneladas, volume 27% menor do que o registrado na safra anterior.
QUEDA
Com propriedade em Tibagi (Campos Gerais), o produtor Guilherme Frederico de Geus Filho relata que o excesso de chuvas em agosto e setembro deixou a lavoura de trigo mais propensa a doenças. “Acredito que nossa produção será 30% menor”, projeta.

Nesta safra, o produtor plantou 100 alqueires de trigo, com a expectativa de concluir a colheita do cereal em outubro.
De acordo com ele, a questão do tempo reduziu de maneira significativa a produtividade – uma queda de 80 sacas por hectare para 60 sacas. “Hoje o clima e a questão da política agrícola são os nossos maiores desafios. Precisamos que as políticas públicas auxiliem na produção de trigo, que subsidiem o seguro da cultura. Não temos mais ajuda”, conclui.

O produtor Rodrigo Ernesto Arnt cultivou neste ano cerca de 700 hectares de trigo na sua propriedade em Tibagi. A expectativa é de concluir a colheita até a primeira quinzena de novembro, se a chuva não atrapalhar. “A produtividade foi afetada principalmente no final de ciclo. A respeito do trigo, teve chuva, calor, além de doenças como giberela, brusone e mal-do-pé que se proliferaram”, pontua. Ele calcula que a produtividade média na região deverá ficar entre 48 e 53 sacas por hectare.


