O clima neste inverno tem preocupado produtores de trigo que tinham a esperança de repetir os resultados obtidos no ano passado. Chuvas além do normal para o período a partir do mês de maio impediram os plantios em algumas regiões e trouxeram muita umidade às lavouras já implantadas. O resultado tem sido o aparecimento de doenças foliares, que devem ser controladas sob o risco de afetar a produtividade final da lavoura.
No Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), a recomendação é que os agricultores procurem auxílio da assistência técnica, oficial ou privada, em suas regiões, para programar o controle das doenças. Com a maior parte do cultivo em fase de desenvolvimento e floração, a ocorrência de doenças pode afetar a produtividade. A chuva também traz problema de acamamento se vier, principalmente, acompanhada de ventos fortes.
Segundo o técnico Otmar Hubener, do Deral, muitos agricultores têm reclamado de doenças foliares nas lavouras, comuns a partir do espigamento, como brusone, giberela e, em alguns casos, a ferrugem da folha e manchas foliares. O importante, segundo ele, é fazer um controle racional para
evitar aumentos no custo de produção das lavouras.
O bom resultado com o trigo em 2003, segundo Hubener, aliado à dificuldade climática em plantar o milho safrinha, influenciou para aumento de área nesta safra em várias regiões do Estado, com destaque para a região de Cornélio Procópio, no Norte, com 23% a mais.
Segundo o economista do Deral de Cornélio, Marcos Adami, apesar do bom desenvolvimento do trigo, a incidência de chuvas tem provocado o aparecimento de doenças, o que deve frustar a expectativa inicial de produção. Só nos 20 primeiros dias de julho a precipitação somou 90 mm, enquanto que o normal seria entre 10 e 15 mm no mês inteiro.
Com a chuva, segundo Adami, veio a umidade e as doenças fúngicas. ''Os produtores estão fazendo o controle com fungicidas o que tem provocado alta no custo de produção da lavoura,'' explica. O custo, segundo ele, deverá reduzir as margens, ''tão esperadas'', com o trigo neste ano. Nos 23 municípios de abrangência da Seab de Cornélio foram plantados 237 mil ha, ante 185 mil ha de 2003. A produtividade média estimada é de 2.500 kg/ha.
Além das chuvas e umidade, parte do trigo plantado na região de Cascavel, no Oeste do Paraná, enfrentou uma geada em junho, fato que deve alterar a produção. A avaliação é técnica do Deral, Jovir Vicentini Esser. Segundo ela, só com a geada, 2.500 ha da região, tiveram 100% de perda.
Com as intempéries climáticas a expectativa de produtividade média naquela região que era de 2.396 kg/ha foi reduzida para 2.350 kg/ha. O aparecimento de manchas foliares ainda pode alterar o quadro. ''Se o produtor não cuidar, dependendo da infestão, o comprometimento pode ser de até 30%,'' avisa Jovir. A região do Deral de Cascavel, que engloba 28 municípios do Oeste, somou plantio de 137 mil ha de trigo, 15% a mais do que em 2003.
Em Campo Mourão, Centro-Oeste do Paraná, o desenvolvimento do trigo não está como no ano passado. Reflexo também do clima deste inverno. Os agricultores enfrentaram atraso no plantio por causa de chuvas, principalmente em maio, melhor época para o manejo. Depois vieram as doenças fúngicas que devem prejudicar a produtividade, além de alterar o custo de produção das lavouras.
Segundo o chefe do departamento técnico da Coamo Agroindustrial Coopoerativa, em Campo Mourão, Marcílio Yoshio Saiki, o custo de um hectare fica entre R$ 800 a R$ 1.000. Este ano, devido ao maior controle com fungicidas, o custo pode subir para R$ 60 a R$ 70 a mais por hectare. ''Os agricultores apostavam em 2004 e hoje não dá mais para ser otimista.'' Nesta safra a região da Coamo teve aumento de 24% de área de plantio: 295 mil hectares ante 233 mil em 2003.
Em Londrina e nos 19 municípios de abrangência do núcleo da Seab/Deral local, segundo a técnica Rosângela Zaparoli Vieira, o clima também provocou aparecimento de doenças fúngicas, ''mas nada ainda alarmante'' e os agricultores deverão colher entre 2.460 kg/ha a 2.640 kg/ha.

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