Clima prejudica qualidade da fibra
Clima prejudica
qualidade da fibra
A colheita de algodão no Paraná está quase encerrada e registra quebra de qualidade e produtividade
Cristina Côrtes
MovimentaçãoA Coceal já registrou o recebimento de aproximadamente 80% da produção da área colhida na região NorteCom qualidade e produtividade inferiores às da safra passada, a colheita deste ano deve ser encerrada no final da próxima semana, se o tempo permitir. A produção foi prejudicada pela seca em janeiro e depois pelo excesso de chuvas na hora da colheita. Fazendo uma retrospectiva, esta é a pior safra em termos de qualidade dos últimos três anos. Em 95/96 em média o tipo ficou em 6,48; 96/97 em 6,21 e agora em 97/98, 6,5 de acordo com a classificação divulgada pela Claspar.
Toneladas de algodão em caroço ainda aguardam do lado de fora da cooperativa, para o beneficiamento
A comercialização está ocorrendo lentamente. Apesar da cotação de preços estar um pouco melhor do que a expectativa inicial, o problema para os produtores está nos descontos aplicados por causa da baixa qualidade. Aliada à queda de produtividade que foi de 15%, a remuneração do produtor está bem abaixo do esperado. A informação é do agrônomo do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e dos Abastecimento (Seab), Maurício Lunardon.
Nesta safra a área plantada (119 mil hectares), foi quase o dobro da área do ano passado, mas a previsão inicial de colher 230 mil toneladas diminuiu para 194 mil toneladas. O clima é de desânimo entre os produtores, e na avaliação de alguns técnicos a área cultivada pode voltar a cair no ano que vem.
A qualidade da fibra este ano ficou abaixo da safra passada, o que prejudicou os preços
ComercializaçãoO preço pago nas principais cooperativas é de R$6,79 a arroba do algodão em caroço. Segundo Lunardon, este valor está quase alcançando o preço mínimo de R$7,00 fixado pelo governo e pode ser considerado uma recuperação.A reação dos preços foi provocada pela realização dos leilões do Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) e pela liberação dos recursos da Aquisição do Governo Federal (AGF) - comenta o agrônomo.
Foram realizados dois leilões do PEP no mês de abril e o terceiro nesta primeira semana de maio. O PEP é um recurso que ajuda as indústrias a comprarem a produção. Do total de R$24,50 pagos pela arroba do algodão em pluma, o governo subsidia R$2,96 por cada arroba, a fundo perdido. O objetivo é garantir o preço mínimo para o produtor e agilizar o escoamento do produto para a indústria de fiação.
Época de plantio, variedades e tratos culturais foram determinantes no resultado final da colheita
Este foi o primeiro ano que teve PEP para algodão, e são oferecidas 8 mil toneladas a cada leilão. Por enquanto os produtores não conhecem muito bem este instrumento de comercialização e estão participando pouco. No primeiro leilão realizado dia 16/04 foram comercializados 50,63% do produto ofertado, no segundo, dia 27/04 ,já cresceu um pouco, 58,74%, e para o terceiro a expectativa é de aumentar ainda mais o volume vendido, explica Lunardon.
Muitos produtores que entregaram sua produção nas cooperativas não fixaram preços, e só liberaram para venda uma parte para pagar os compromissos mais imediatos. Segundo Lunardon a área pode ser reduzida novamente na safra do ano que vem.
VariaçãoO presidente da Cooperativa Central de Algodão (Coceal), Almir Monticelli, acha ainda cedo para fazer uma avaliação global da safra de algodão deste ano porque a colheita não está concluída. Mas os resultados estão variando muito de região para região e de propriedade para propriedade.
Vários fatores estão influindo no resultado: época de plantio, variedades e tratos culturais. Quem plantou mais cedo teve mais problemas com perdas de qualidade por causa do clima. Quem plantou mais tarde escapou da chuva na hora da colheita e teve mais chances de um melhor aproveitamento.
A variedade também foi determinante nesta safra. A Coodetec 401 teve melhor rendimento do que a IAC 22, que foi prejudicada pela incidência de virose, conhecida como doença azul, avalia Monticelli.
Os tratos culturais também fizeram diferença. Como uma boa parte dos produtores não estavam capitalizados para investir, muitas áreas foram cultivadas sem adubação adequada. Tivemos áreas em que o produtor chegou a colher 600 arrobas por alqueire, e outras que não atingiram 150 arrôbas/alqueire. Os resultados foram muito diferenciados.
Quem colheu mais de 300 arrobas por alqueire e está alcançando preços próximos a R$7,00, está tendo uma boa remuneração, diz o presidente da Coceal. A Coceal recebe a produção das cooperativas Cacojal, Valcoop, Integradas, Corol, e já beneficiou 80% da área colhida na região. A classificação do produto atinge em média o tipo 6,5. Esta é a média que vem sendo atingida em todo o Estado, segundo avaliação do agrônomo do Deral.





