As condições climáticas deste ano, sobretudo no segundo semestre, prejudicaram a terminação de animais a pasto. Faltou quantidade e qualidade nas pastagnes para alimentar os animais. Houve geada, depois seca, e o pasto não brotou o suficiente para alimentar os animais.
O agrônomo Pedro Katsuki, de Londrina, está orientando os pecuaristas a fazerem redução do número de lotes na fazenda, reserva de áreas de pastagem e o rodízio em piquetes, de modo que algumas áreas de pasto tenham, no mínimo, 30 dias de descanso para depois receberem de novo os animais para o pastoreio.
Nas áreas onde os animais estão pastoreando, o agrônomo avisa que o capim não pode ficar menor do que 15 centímetros do chão, especialmente no caso das brachiárias.
''Os lotes de animais, segundo ele, podem ser ajustados da seguinte maneira: se o pecuarista tem quatro lotes de recria, por exemplo, pode reduzí-los para dois e manter parte das áreas de pastagens reservadas. O ideal é ter, pelo menos, uma unidade animal por hectare,'' recomenda Katsuki.
Segundo ele, como a principal e muitas vezes única fonte de alimentos é o capim, em propriedades de produção de bovinos de corte, este deve ser agora a melhor opção de manejo para esperar a sobra de pasto; ''que deve acontecer somente a partir do final de dezembro.''
O agrônomo informa que a situação dos pastos na maioria dos Estados produtores de bovinos de corte não é boa. A geada de setembro ainda traz reflexos para a pecuária do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
''A geada de setembro queimou bastante o pasto e provocou uma brotação irregular que deveria só acontecer, normalmente, em final de outubro, início de novembro. As mudanças climáticas atrasaram o desenvolvimento dos pastos. Depois veio a seca, que afetou o brotamento. Pasto em quantidade agora, só no final de dezembro.''
O atraso no acabamento dos animais segundo Katsuki aconteceu em função das alterações climáticas e, em muitas propriedades, lotes maiores do que as pastagens tinham capacidade de atender.
Além de atraso no acabamento está acontecendo também um atraso ou até falta na verificação de cio entre as fêmeas. Aquelas que pariram em setembro por exmeplo, em função da falta de comida suficiente, não estão apresentando cio normalmente. ''Sem energia a vaca não consegue ciclar.'' O reflexo disso, prevê o agrônomo, poderá ser também atraso na estação de monta deste ano. ''Esse atraso deverá ser generalizado.''

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