Muita chuva (quase 100 milímetros) para a época, neste mês de agosto, pode prejudicar a qualidade do trigo, que teve excelente desenvolvimento em todo o Paraná. Mal começou a colheita no Norte do Estado (estima-se que até agora apenas 5% estejam colhidos), produtores e técnicos estão preocupados com as doenças foliares e com a possível germinação da espiga, provocada pela umidade e atraso na colheita.
O pesquisador da Embrapa Soja, Sérgio Dotto, especialista na área de trigo, recomenda que o produtor não espere muito para colher. Em condições normais, o ideal é que se colha o trigo quando a umidade do grão estiver entre 13% e 14%. ‘‘Mas este ano estamos recomendando que o produtor colha, mesmo que a umidade esteja entre 18% e 20%, pois se ficar esperando e vier chuva, o grão começará a germinar, perdendo a qualidade’’, diz Dotto.
ExpectativaAté dia 10 de setembro 80% do trigo do Estado devem estar colhidos. Neste safra foram cultivados aproximadamente 880 mil hectares, dos quais 35% na região Norte. A produtividade média esperada é superior à da safra passada, devendo ficar acima de 2 mil kg/ha. No ano passado a média alcançou 1.829 kg/ha.
O trigo cultivado no Norte do Paraná é o primeiro a ser colhido em todo o País, e segundo Dotto apresenta as melhores condições para competir com o trigo importado. ‘‘A procura por este primeiro trigo é grande por parte dos moinhos’’, diz o pppesquisador. Ele destaca os cuidados na hora do transporte e armazenagem dos grãos, para evitar perdas e quebra de qualidade. ‘‘As cooperativas têm condições de fazer um trabalho bem feito. Mesmo que gastem um pouco a mais para armazenar melhor e separadamente as diferentes classes de grãos, o retorno na hora da comercialização é garantido’’, explica.
O agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado (Seab), Otmar Rubner, concorda com a avaliação do pesquisador e reforça que o produtor não deve esperar muito para colher o trigo. ‘‘O desenvolvimento das lavouras este ano foi excepcional, e o trigo maduro deve ser colhido o quanto antes’’, alerta.
ComercializaçãoSegundo dados da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), o mercado paranaense, nesta fase de colheita, apresenta preço médio de R$9,23/saca de 60 kg, valor abaixo do mínimo de garantia adotado pelo governo que é de R$157,00 a tonelada.
Para Dotto, o trigo paranaense pode competir em qualidade e também em preço com o trigo importado. ‘‘Hoje o preço nos Estados Unidos está em torno de US$216 a tonelada colocada aqui nos moinhos. O trigo argentino posto aqui custa US$236 a tonelada, enquanto o nosso deve ficar em torno de US$160 a tonelada.’’
O pesquisador diz que o governo está agilizando a compra do trigo através do Programa de Escoamento da Produção (PEP). ‘‘Hoje tem comprador para cada classe. Os moinhos compram tanto o trigo superior quanto o trigo comum. Não falta mercado para ninguém’’, afirma Dotto.
Nova classificaçãoJá foi divulgada a nova classificação do trigo, que vigorará a partir do ano que vem. Na opinião do pesquisador, a nova terminologia vai derrubar certos preconceitos com relação às classes de trigo. A partir do ano que vem os nomes dos tipos de trigo definirão melhor o grão, de acordo com sua utilização, além de se aproximar da classificação internacional utilizada nos países produtores. ‘‘Quando se fala em trigo superior, supõe-se que exista um trigo inferior, e não é este o caso. O que exite de fato é uso diferenciado para cada trigo’’, explica Dotto.
A decisão da nova classificação foi tomada em reunião no mês passado, entre representantes dos segmentos industrial, produtivo, pesquisa e extensão rural. O trigo será classificado em cinco classes e três tipos. As classes são as seguintes: trigo brando, trigo pão, trigo melhorador, trigo outros usos e trigo durum. O três tipos (1,2 e 3) do trigo serão definidos em função do limite mínimo do peso hectolítrico e dos limites máximos dos percentuais de grãos avariados, de umidade, de matérias estranhas, de impurezas e danificados por insetos.
Será classificado temporariamente e proibida a comercialização do trigo que apresentar insetos vivos, até que ocorra sua desinfestação e/ou novo beneficiamento.

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