Clima instável atrapalha produção de café
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
As intempéries climáticas afetaram o desempenho da atual safra de café do Paraná. A expectativa inicial era de uma produção de aproximadamente 2 milhões de sacas, mas o último levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento, aponta uma estimativa de 1,6 milhão a 1,8 milhão de sacas colhidas em 2012. Na avaliação do coordenador do setor de café do Deral e coordenador estadual da Câmara Setorial do Café, Paulo Franzini, cerca de 20% da produção foi afetada pelo clima.
No inverno de 2011, a geada que atingiu algumas áreas do Estado comprometeu o potencial produtivo dos cafezais. Na sequência, a fase de florada foi prejudicada pela estiagem em setembro e pelas baixas temperaturas registradas em outubro e novembro. ''O potencial da safra e a qualidade dos grãos foram também reduzidos pela seca nos meses de dezembro e janeiro e pelo excesso de chuvas em junho, que prejudicaram o peso e o tamanho dos grãos'', esclarece Franzini.
A área cultivada com café no Estado totaliza 87,1 mil hectares, sendo que 70 mil hectares estão em produção. Com esses índices, a média da produtividade das lavouras de café no Paraná é de 24 sacas por hectare. Uma iniciativa da Câmara Setorial do Café, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) busca ampliar a produtividade média dos cafezais paranaenses para 40 sacas por hectare, com o intuito de aumentar a competitividade dos produtores.
Qualidade
O engenheiro agrônomo do Instituto Emater, Romeu Gair, lembra que as lavouras com ciclo precoce não conseguiram garantir a qualidade da produção, pois as chuvas afetaram justamente o período de colheita, o que gerou a queda de muitos grãos no solo. Já os cafezais tardios, em que a colheita foi realizada em julho, sofreram menos prejuízo. ''A rentabilidade será garantida para os produtores que conseguiram manter qualidade, pois esse tipo de produto será escasso nesta safra'', afirma.
Já o coordenador estadual de café do Instituto Emater, Cilésio Demoner, lembra ainda que as temperaturas acima de 30ºC registradas entre outubro e fevereiro atrapalharam o metabolismo das plantas e paralisaram o crescimento dos grãos de café. ''Calcula-se que 25% da produção total de café do Paraná caiu no chão. Não há como misturar esses grãos com o café de qualidade colhido no pé, e, assim, toda essa quantidade não pode ser classificada como bebida'', revela.
Demoner orienta que o cafeicultor precisa estar atento à gestão da propriedade para reduzir os prejuízos em situações como essa. A gestão não deve se resumir ao controle financeiro, mas também à data de florada. ''O produtor precisa estar prestar atenção ao dia em que ocorreu a florada para calcular quando será a colheita. Assim, caso precise, saberá se organizar para fazer a colheita de forma seletiva em algumas áreas e reduzir os prejuízos causados pelo clima'', ressalta.
Para o presidente da Cooperativa dos Produtores de Cafés Certificados e Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Concenpp), Luiz Fernando de Andrade Leite, a perda da qualidade dos grãos colhidos nesta safra em todo o País será significativa. Segundo ele, no Norte Pioneiro cerca de 15% do café foi ao chão em função do excesso de chuvas, o que impede a classificação como grão fino. ''Em anos como esse, o produtor precisa se desdobrar para garantir qualidade'', afirma.


