Clima favorece qualidade da fibra
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sexta-feira, 09 de maio de 1997
Silvana Leão 
TecnologiaA colheita mecânica, que pode custar menos para o produtor, exige que todas as maçãs estejam abertasNo que diz respeito à qualidade, o Paraná está colhendo a melhor safra de algodão dos últimos dez anos. Em relação à produção, porém, é a menor registrada desde o final da década de 50. Preços que não acompanham os altos custos de produção, ausência de variedades resistentes às doenças que mais atacam o algodoeiro e falta de apoio do Governo são as principais causas da crise na cotonicultura.
O Estado já chegou a produzir 983 mil toneladas de algodão em caroço em 1991. De lá para cá a produção vem caindo drasticamente, até chegar às 287.061 toneladas obtidas na safra 95/96. Este ano, estima-se que a produção fique em torno de 111 mil toneladas, ou seja, 61% inferior à obtida anteriormente. Em relação à área plantada (63 mil hectares), a redução na atual safra é de 67%.
No limiteAo que tudo indica, a cultura chegou ao seu limite. Se não houver uma reação nos próximos anos, tende a desaparecer de vez da paisagem agrícola paranaense. A expectativa é que a recuperação seja motivada pelo bom preço obtido atualmente - em média, R$ 8,00 a arroba do algodão em caroço tipo 6 - e a possibilidade de lançamento de novas cultivares, mais resistentes e com melhor rendimento.
Nelson Tomimatsu: novo sistema de parceria para arrendar terra e planos de aumentar a área plantada
Acreditamos que a área de plantio pode dobrar no ano que vem, chegando a 150 mil hectares. O que ainda é pouco, se compararmos com a área histórica do Estado, que é de 500 mil ha, diz Almir Monticelli, presidente da Cooperativa Central de Algodão (Coceal), em Ibiporã. Ele informa que a cooperativa espera receber nesta safra 200 mil arrobas de algodão em caroço, já que está recolhendo também o produto que até 96 era entregue nas cooperativas Valcoop, Corol, Cacojal, Cofercatu e Integrada, que tiveram suas usinas de beneficiamento paralisadas este ano.
QualidadeSegundo Monticelli, a qualidade do algodão melhorou muito na atual safra, principalmente pela maior disponibilidade de mão-de-obra, que permite ao agricultor exigir mais cuidado na hora da colheita. O engenheiro agrônomo responsável pela área de algodão do escritório regional da Emater em Londrina, Rafael Figueiredo, lembra que as condições climáticas também estão ajudando - a colheita da atual safra está terminando sem chuvas, que poderiam comprometer a fibra.
O gerente do setor de algodão da Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) em Londrina, Élido Ary Rizzardi, confirma a qualidade superior do produto que está sendo colhido, e diz que a colheita mecânica - que começa a ser adotada pelos produtores paranaenses - é outro fator que contribui para isso. Este ano a média de tipo está em 6,17, quase 0,5 ponto melhor que nas safras anteriores. Isto representa um ágio de 10 a 15% no preço para o produtor, explica.
As condições climáticas só não ajudaram muito na época de formação das maçãs, em meados de janeiro, quando choveu em excesso e as plantas não tiveram luminosidade suficiente. De acordo com dados fornecidos pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, o algodão tem apresentado pouco peso, diminuindo o rendimento estimado inicialmente para as lavouras do Estado, que era de 116 mil toneladas de algodão em caroço.
ColheitaAs chuvas do início do ano também atrapalharam a aplicação de reguladores de crescimento nas lavouras destinadas à colheita mecânica, que devem ter em média 1,10 m de altura. Por isso alguns produtores, que chegaram a alugar colhedeiras, não dispensaram o trabalho manual. As plantas estão com altura entre 1,30 e 1,50 m, por isso a máquina deixa muita coisa para trás, explica o agrônomo e produtor Nelson Tomimatsu, que plantou 70 hectares em Centenário do Sul (Norte do Estado) destinados à produção de sementes.
Apesar das vantagens da colheita mecânica - entre elas o menor custo -, Tomimatsu observa que a contratação de bóias-frias ainda é uma boa opção. E explica por quê: Na colheita mecanizada, é preciso esperar que todas as maçãs estejam abertas, o que resulta em perda excessiva de umidade do caroço e representa uma diminuição de peso em torno 15%. Já a colheita manual pode ser feita com até 18% de umidade. Isto não seria problema se o Brasil já fizesse a comercialização pelo peso da pluma, como se faz no resto do mundo. Segundo o produtor, já existem cooperativas adotando o novo sistema de comercialização. Uma delas é a Coopasul, de Naviraí (MS).
Nelson Tomimatsu é um dos produtores que estão testando a variedade Coodetec 401 - que deverá ser recomendada na próxima safra -, desenvolvida por pesquisadores da Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico Ltda, de Cascavel. Animado com os resultados, Tomimatsu explica que se trata de um material altamente produtivo, resistente às principais doenças da maçã e com alta qualidade de fibra.
Marcos BorgesNa colheita colo-a-colo os trabalhadores podem receber mais e o produtor ganha em qualidade
Esperando alcançar uma produtividade de no mínimo 170 arrobas/ha, o agricultor já faz planos para a próxima safra, quando pretende implantar um sistema diferente de parceria - onde dono e arrendatário dividem igualmente despesas e lucros - para aumentar a área plantada com algodão. Junto com dois sócios, pretendo chegar a 400 ha no ano que vem, afirma.
Preocupado com a qualidade do seu produto, Tomimatsu vem adotando, desde o ano passado, a colheita colo-a-colo, onde a pesagem do algodão é feita ali na roça mesmo, imediatamente após a colheita. Depois de analisada a qualidade, cada trabalhador recebe por arroba colhida. A vantagem é que cada um se esforça mais que o normal, porque tem mais chances de ganhar, e o nível de impureza fica em torno de 3%, contra os 20% da colheita tradicional.


