PressaA ferrugem do café deve ser controlada logo no início, para evitar perdasO período atual está bastante favorável ao aparecimento da ferrugem, a principal doença do cafeeiro, e que pode causar queda de 20% a 30% na produção. Os produtores que já fizeram o controle preventivo em novembro ou dezembro devem ficar atentos, porque o ciclo da doença pode ter sido adiado, e o pico pode acontecer em maio ou junho. O alerta é do agrônomo Francisco Barbosa, do Departamento Nacional do Café (Denac), do Ministério da Agricultura e do Abastecimento.
A ferrugem é uma doença relacionada à nutrição da planta e ao clima. Numa safra de carga pendende como a deste ano, o cafeeiro em fase de granação fica mais suscetível a doenças e debilitado, necessitando de uma adubação mais eficiente. O espaçamento, atraso nas capinas e umidade nas folhas provocadas pelas constantes chuvas são outros fatores que contribuem para o aparecimento da doença.
Tipos de controleO controle da ferrugem pode ser curativo ou preventivo, com produtos foliares ou de solo. Segundo Francisco Barbosa, antigamente os produtores faziam de 5 a 7 aplicações de cobre no período de novembro a julho. Hoje o produtor pode conseguir um bom resultado com um número menor de aplicações, de 3 a 5 com produtos foliares à base de cobre ou 2 a 3 aplicações no solo com produtos à base de triazóis.
Francisco BarbosaA doença ‘‘olho pardo’’ pode ser problema nas lavouras novas adensadas
Normalmente, faz-se a primeira aplicação preventiva em novembro e dezembro, com cobre; 30 dias depois triazol e 60 dias depois repete-se o triazol. ‘‘Este seria um bom programa de controle se as condições climáticas fossem diferentes deste ano’’, comenta Barbosa. Em anos normais, as chuvas no Paraná ocorrem em dezembro e janeiro, e este ano elas atrasaram, com concentrações maiores em fevereiro.
O controle foliar que daria um intervalo de aplicação de 60 a 75 dias deve ter este tempo reduzido por causa das constantes chuvas. ‘‘O produtor deve observar muito bem sua lavoura ou procurar a assistência técnica, para não permitir que a doença evolua muito para fazer o controle curativo’’, alerta.
A ferrugem ataca inicialmente as folhas mais antigas e internas do pé, e muitas vezes o produtor não percebe, porque olha superficialmente.‘‘Quando o produtor nota a ferrugem, normalmente é porque a lavoura já está bastante prejudicada’’. Se o ataque da ferrugem atingir de 40% a 50% da lavoura não adianta mais fazer o controle curativo. ‘‘O produtor só vai adicionar custo, sem atingir uma resposta favorável, porque as perdas vão acontecer’’, comenta Barbosa.
Lavouras novasA maioria das lavouras novas do Paraná, no sistema adensado, são constituídas de variedades resistentes a ferrugem, mas podem enfrentar outro tipo de doeanças. Estas variedades são suscetíveis a Cercospora cofeícola, mais conhecida como ‘‘olho pardo’’, uma doença que ataca as folhas e pode atacar também o fruto. Causa uma desfolha prematura na planta e pode provocar os mesmos danos que a ferrugem.‘‘Esta doença também está relacionada à nutrição de planta e a carga jovem e elevada, como deve ser a desta safra’’, explica Barbosa.
Em um cafezal de folhagem abundante é difícil notar a ferrugem pela observação superficial
Períodos de veranicos agravam a doença, que também é um sério problema na produção de mudas. O período de aparecimento da ‘‘olho pardo’’ é março e abril, quando a fase de granação é mais acentuada. Para o controle desta doença pode-se usar o cobre, que tem um bom efeito principalmente se for aplicado logo no início. Podem ser usados também outros produtos sistêmicos curativos.
No Brasil os Estados que apresentam mais problemas com ferrugem são Paraná e São Paulo. O custo do controle varia muito, conforme o tipo de produto utilizado. Em média calcula-se que o custo atualmente deve ficar em torno de uma saca de café beneficiado. ‘‘Já teve época, quando o preço do café era menor, que o controle chegou a custar cinco sacas’’, diz Barbosa.

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