Clima elevou preço do feijão
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sexta-feira, 30 de maio de 2008
Claudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - No início de 2008, o consumidor paranaense foi pego por uma surpresa desagradável: alta no varejo espantosa que levou o pacote de 1kg do feijão carioca a R$ 5,04 e o preto a R$ 3,36, segundo dados do Deral.
Como a formação de preços do feijão é integralmente articulada pelo mercado interno, pois não há comércio internacional por falta de mercadoria extra, a explosão de valores foi provocada por efeitos climáticos que mexeram no bolso do produtor e atacou sem dó e nem piedade a cesta básica.
Segundo o Dieese, em janeiro de 2007, a ração média necessária de consumo por trabalhador de 4,5 kg ao mês, saía no varejo por R$ 8,51. Em janeiro de 2008, foram gastos R$ 17,33. Uma variação de 103,64%. Se o trabalhador que ganha salário mínimo dispendia cinco horas do seu tempo para ganhar esta porção, no início deste ano, ele passou a necessitar de 10 horas.
Moral da história: a safra 2007/2008 sofreu com geadas, chuvas e secas. Quem pagou a feijoada, foi o consumidor. ''A estiagem foi castigante e como a primeira safra não rendeu o esperado, ela por ser a reguladora das outras, fez com que o agricultor retraísse o plantio com medo de prejuízos'', analisa Marcelo Luders, da Correpar.
E faz sentido: faltou feijão para a compra e os preços estouraram no início do ano, sendo os maiores desde a implantação do Plano Real, em julho de 1994. Se confirmar o desempenho esperado para a segunda safra, tanto no Brasil como no Paraná, o Deral não acredita em novas altas.
Para Luders estes solavancos no mercado só interessam a alguns poucos especuladores, cada vez mais raros. A Bolsa Brasileira de Mercadorias já dispõe de contratos que permitem o produtor vender antecipadamente, mecanismo que funciona bem com as commodities, o que garantiria mais ganhos.
A ''bolsinha de SP'' é quem regula o preço no País por meio da velha lei de oferta e procura, aplicada a partir de uma pequena quantidade negociada em São Paulo. A Correpar informa que este trâmite não tem registro fiscal e basea-se na quantidade de caminhões estacionados em um pátio estacionado e das amostras sobre a mesa de alguns corretores e que fazem o preço. ''Este mecanismo é sujeto a manipulações por grupos que têm interesses momentâneos, o que afeta a cotaçao no Brasil todo, principalmente na safra do Paraná que depende do preço formado lá'', lamenta Luders.
Segundo o Deral, o feijão carioca é historicamente mais valorizado que o preto, no Paraná, na venda das sacas de 60 quilos. O departamento registrou que o produtores vêm recebendo R$ 109,23 pela saca do carioca e R$ 102,73 pelo preto. Há um ano os valores situavam-se em R$ 42,09 e R$ 33,35 respectivamente.
Para o segundo semestre, a Correpar indica pouca oferta de feijão preto e ausência de estoques na mão do governo. A importação de feijão preto da China no primeiro semestre deve se repetir, mas com produto da Argentina, culminando em forte tendência de alta entre julho e novembro.
Segundo o pesquisador Mauro Lopes, do Centro de Estudos Agrícolas do Instituto de Economia da Fundação Getúlio Vargas, os preços do feijão começaram a cair em 2006, devido à grande produção. Na safra seguinte, com os produtores desestimulados e más condições meteorológicas em alguns estados, os preços subiram e em dezembro, o preço no atacado atingiu R$ 300. A previsão é que a curto prazo haja queda no preço do feijão. ''Foi um episódio, uma seca na Bahia que elevou o preço do feijão a R$ 180 por saca. Mas a produção e os preços vão se normalizar'', disse. (C.P)


