O parque industrial ervateiro do Paraná, como conta Jorge Mazuchowski, da Eamter, sofreu alterações ao longo dos anos. Em 1980, eram 420 unidades processadoras atuantes. Em 1997, o número caiu para 209 e, hoje, operam cerca de 110 unidades industriais, concentradas em 65 municípios. ''A redução decorre de questões conjunturais, como política monetária e tributária, modernização de maquinário, exigências de mercado e profissionalização do setor'', esclarece.
O técnico da Emater diz que, embora haja dúvida quanto ao volume de erva-mate folha verde produzida e comercializada no Paraná, 300 mil toneladas destinam-se às agroindústrias e indústrias da zona produtora. A indústria ervateira matriz, denominada de moinho ou empacotadora, faz a finalização do produto. O Estado ainda atende a empresas do Rio Grande do Sul, com filiais em solo paranaense, que cuidam do cancheamento e beneficiamento de cerca de 35% de massa foliar verde produzida aqui.
O que se aplica à Baldo S/A, indústria centenária gaúcha que instalou uma unidade em São Mateus do Sul, em 1993, mas que já mantinha relações comerciais com o Paraná desde 1960. ''A erva-mate paranaense é de boa qualidade, a melhor. O conjunto de clima, solo e ambiente daqui oferece as variáveis e condições propícias para a produção'', diz o gerente da unidade de São Mateus do Sul, Leandro Beninho Gheno.
O cultivo de erva-mate requer clima mais frio, altitudes acima de 500 metros e solos profundos. Nas regiões Sul e Sudoeste do Estado estão a maior parte dos ervais sombreados e plantas nativas. Pensar numa expansão da cultura para outras regiões, como o Norte, se tornaria um desafio. ''Ponta Grossa é a única experiência que conheço de plantar erva-mate fora das áreas tradicionais e lá, o volume não é significativo. Quando se fala em chimarrão, sudoeste e sul são as melhores regiões. Talvez para outros produtos seja possível cultivá-la em outras áreas'', situa Gheno. (F.G.)

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