Clima e solo favorecem a produção
O Estado tem potencial para produzir laranja, pois conta com clima e solo favoráveis. ''Têm semelhança com o de São Paulo em algumas regiões. Possui amplitude térmica favorável tanto para atender a indústria como para produzir frutas de mesa'', diz Eduardo Fermino Carlos, do Iapar. O pesquisador compara que em estados como Sergipe e Goiás - os quais têm área de produção da fruta um pouco maior que o Paraná - o cultivo está mais voltado para o mercado regional. Essas regiões são mais quentes, o que faz com que a acidez da fruta caia mais rapidamente, dificultando a produção de sucos processados.
Além de questões naturais, o Paraná tem a vantagem de contar, na maior parte, com um sistema de produção verticalizado nas cooperativas e em outras companhias. ''O produtor é dono da indústria'', observa. Ou seja, quer que o negócio caminhe para frente como um todo. ''Em São Paulo existe guerra entre produtor e indústria. Eles não se dão conta de que fazem parte da mesma equipe e precisam atuar juntos''.
Como nem tudo são flores, além de vencer doenças e dificuldades atuais de preços baixos, produtores de laranja do Estado precisarão encarar também a falta de infraestrutura, como estradas ruins e portos deficientes para a atividade. Alguns desafios gerais também precisam ser avaliados, entre eles o preço de varejo do suco no mercado internacional. Em alguns países, conforme Carlos, quando o preço do suco da laranja sobe muito, o consumidor lá fora acaba optando por outras ofertas, como suco de maçã, afetando a cadeia produtiva da laranja. ''De qualquer forma existe um mercado estabelecido para o suco de laranja, pois é um produto com sinônimo de saúde e que o mundo reconhece como produto de qualidade'', frisa.
Pesquisas
Quanto ao programa de melhoramento genético da laranja, Carlos lembra que o Iapar foi o pioneiro na produção de plantas transgênicas de citros no Brasil, no final da década de 1990, por conta do trabalho do pesquisador Luiz Vieira e equipe. O trabalho ganhou notoriedade internacional por conseguir reproduzir plantas fisiologicamente maduras.
O Iapar também importou e disponibilizou outras variedades, como a iapar 73, a partir de materiais de São Paulo, e a navelina, shamouti e outras, da região do Mediterrâneo, sob a responsabilidade dos pesquisadores Rui Leite e Zuleide Hissano. No momento, pesquisadores do Laboratório de Biotecnologia do instituto têm trabalhado no desenvolvimento de novas cultivares convencionais e geneticamente modificadas mais resistentes, principalmente a doenças e à seca.
Ainda sobre a importância da produção da fruta no Estado, o pesquisador destaca que Londrina foi a cidade escolhida para sediar o 13º Congresso Internacional de Citricultura, que acontecerá em 2016. O evento ocorre a cada quatro anos. Em 2008 foi realizado na China e em 2012 será na Espanha. (E.Z.)





