Curitiba - Os produtores de uvas finas de mesa da região de Maringá - que concentra maior produção do Estado - anteciparam, este ano, a poda das videiras para garantir o escalonamento da colheita. O objetivo é uma melhor distribuição da colheita e, com isso, obter preços melhores. A maior parte da produção começa a ser colhida a partir do dia 10 de novembro. Os viticultores esperam conseguir de R$ 2,00 a R$ 2,50 pelo quilo da fruta. O Deral ainda não tem números fechados da estimativa de safra.
A poda das plantas é feita entre junho e setembro e a colheita entre novembro e março. Já na safrinha, a poda é feita entre novembro e março e a colheita entre junho e agosto.
De acordo com o engenheiro agrônomo do Deral, Rodrigo Aquino de Paula, o clima na região de Maringá, este ano, não chegou a prejudicar o cultivo da uva.
Dormência - Na região de Cornélio Procópio as baixas temperaturas - em torno de 12 graus celsius - registradas este mês paralisaram o crescimento da planta. Apesar do frio atípico, segundo ele, a produção não deverá ser afetada.
A região de Francisco Beltrão - uma das principais produtoras de uva comum de mesa, ao lado de Ivaiporã, não afetada - também enfrentou temperaturas baixas fora de época, o que, segundo Rodrigo de Paula, provocou desuniformidade na produção, isto é, numa mesma parreira há uvas em estágio mais e menos avançado de maturação.
O Deral ainda não fala em quebra na safra de uva, mas o produtor Sadao Takakura, de Floraí (44 quilômetros a noroeste de Maringá), calcula uma quebra de 80% na produção de suas videiras. Segundo ele, o frio fora de época - em agosto e setembro - fez com que as plantas, em vez de brotarem, entrassem em ''dormência''. Ele explica que é fator característico de espécies originárias de países frios. Para evitar a perda de líquido, a planta ''dorme'' quando sente a baixa temperatura.
O produtor disse que, em 40 anos de atividade, é a primeira vez que amargará prejuízo tão grande.
Em contrapartida, a safra colhida, entre junho e julho, nos três hectares de videiras de sua propriedade, foi excelente. A produção das variedades Benitaka e Brasil, chegou a 45 t. Além da boa produtividade, o fruticultor comemorou uma safra de excelente qualidade e conseguiu, também, um bom preço por ela: entre R$ 13,00 e R$ 17,00 a caixa de seis quilos.
Takakura garante que outros produtores da região também se queixam da baixa produtividade, estimando redução média de 40% nesta safra. Além da redução no volume produzido, os viticultores calculam que a colheita deverá atrasar, pelo menos, 30 dias, começando somente em janeiro.
Pêssego e ameixa - A produção de outras frutas de época como pêssego, ameixa e nectarina, tradicionais nas ceias de Natal e Ano Novo, pode sofrer prejuízo, segundo o Deral. As geadas ocorridas nos dias 11 e 12 de setembro, lembrou o agrônomo, afetaram as gemas das plantas precoces.
No dia 5 deste mês, uma chuva de granizo atingiu os pomares da região da Lapa - principal produtora - prejudicando o raleio dos frutos. Esse manuseio consiste na retirada do excesso de frutos para aumentar o tamanho deles, evitar a quebra de ramos e melhorar o equilíbrio da planta.

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