Clima do jeito que o frango gosta
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Lourdes TirelliAviário climatizado C. Pereira, em PalotinaPaulo Pegoraro 
Aviários climatizados que estão sendo paulatinamente implantados em propriedades rurais do Oeste paranaense, melhoram significativamente os resultados finais da produção e rendimento, comprovando que o emprego de modernas tecnologias no campo resulta em lucro direto aos produtores. O maior número de aviários climatizados está na área da Cooperativa Agrícola Mista Vale do Piquiri (Coopervale), sediada em Palotina. A cooperativa está empenhada em grande projeto de produção e abate de frangos, em parceria com seus cooperados.
A Coopervale (seis mil associados) é pioneira no País na implantação de aviários climatizados. Dessas estruturas saem os frangos para o frigorífico, que abate 70 mil cabeças ao dia, e tem capacidade para até 150 mil cabeças. O presidente da cooperativa, Alfredo Lang, prevê que o faturamento da empresa no setor chegará a R$100 milhões. A Coopervale e associados investiram, R$65 milhões, para instalar cem aviários climatizados.
Equipamento computadorizado controla fornecimento de água, ração e temperatura interna do aviário
PalofotoControleA tecnologia permite o controle da temperatura, para que os frangos não sejam submetidos às alterações que afetem sua saúde e desenvolvimento. Em barracões (custam R$98 mil) com pouco mais de 1200 metros quadrados, é possível acomodar 26 mil aves a cada ciclo (média de 45 dias) - mais do que o dobro de um aviário comum, no qual os frangos precisam de mais espaço, inclusive por causa da ventilação inadequada. O plantel consegue maior ganho de peso e é aumentada a conversão alimentar (ração em carne).
O uso de mão-de-obra também é reduzido. Uma só pessoa pode cuidar de cem mil aves (no sistema convencional, apenas doze mil), porque os equipamentos são automatizados. O custo financeiro de um aviário climatizado é o dobro do convencional, mas se equivale por permitir alojar o dobro de aves. Um dos produtores da Coopervale, Nio Hubner, relata que, feitas todas as contas das etapas de produção, seu rendimento final, com o aviário climatizado, é muito melhor que produzir soja.
Na sede da cooperativa o abatedouro, que tem área construída de 16,7 mil metros quadrados e custou R$25 milhões, há muitos equipamentos importados; as paredes são de material que garante isolamento térmico, e a temperatura é controlada; o sistema de tratamento destina os resíduos (penas, sangue e vísceras dos frangos) à fábrica de farinha, para tratamento e utilização em ração. A fábrica de rações absorverá anualmente 117 mil toneladas de milho.
A cooperativa implantou um matrizeiro, também automatizado, com equipamentos para o controle da temperatura, umidade e fornecimento de água e ração - consumida em menor quantidade e com melhor conversão alimentar. Inicialmente, são vinte galpões, e em etapa posterior serão 54, que produzirão 155 mil ovos ao dia. No incubatório, para seis milhões de pintainhos ao mês, também é empregada tecnologia de última geração. Até mesmo a intensidade da iluminação é graduada de acordo com a idade das aves.
AdaptaçãoAviário adaptado para climatização, do associado da Coopavel, Paulo OrsoEmpregosA Coopervale inaugurou seu complexo avícola em outubro do ano passado, gerando mil empregos diretos e mais de mil indiretos, em cinco municípios, entre os quais é rateado o ICMS (estimado em R$12 milhões ao ano). O rateio é possível através de um acordo feito pela diretoria com os prefeitos de Palotina, Nova Santa Rosa, Maripá, Assis Chateaubriand e Terra Roxa, que compõem a área de ação da cooperativa e onde são produzidos os frangos, inicialmente por 250 aviários (entre climatizados e convencionais).
No âmbito da Cooperativa Agropecuária de Cascavel (Coopavel), com 3,7 mil associados, a introdução de aviários climatizados está sendo iniciada na propriedade de Paulo Orso, em Juvinópolis, distrito de Cascavel. Ele adaptou um aviário convencional, com 1560 metros quadrados, instalando exaustores, vedação e forração para impedir a entrada de ar, e automatizando todo o processo, com investimento de R$12 mil. Antes, alojava 19,5 mil aves. Agora, no mesmo espaço, são 25 mil frangos, podendo chegar a 28 mil. Orso está fazendo uma experiência, que poderá levar à adaptação também do segundo aviário.
A Coopavel fez grandes investimentos em seu projeto avícola, com frigorífico que abate 130 mil cabeças ao dia e resultou no ano passado em faturamento de R$70 milhões. A receita deve crescer ainda mais com a ampliação da capacidade de abate, para 250 mil cabeças. A cooperativa está implantando também frigoríficos de suínos (para abate de 1,5 mil cabeças ao dia) e bovinos (200), que operarão no final do ano. Em todo o complexo, o investimento chegará a R$42 milhões.
Outras cooperativasA Cooperativa Agrícola Consolata (Copacol), de Cafelândia, com 5 mil associados, também opera frigorífico, que no ano passado produziu 75 mil toneladas de carne, resultando em faturamento de R$40 milhões no ano passado. A Cooperativa Agropecuária Três Fronteiras (Cotrefal), com sede em Medianeira e 4,4 mil associados, deve inaugurar no final do próximo ano um frigorífico de aves com capacidade de abate que pode chegar a 256 mil cabeças ao dia.
Fábio Rosso, presidente da Cooperativa Central Regional Iguaçu (Cotriguaçu), de Cascavel, observa que as cooperativas têm disseminado novas tecnologias entre seus associados - caso dos aviários climatizados. Rosso observa que é indispensável produzir mais e com mais qualidade, para que a propriedade rural seja viável. As empresas, por seu lado, devem verticalizar a economia, agregando valores, o que ocorre com a transformação de grãos em carne de frango (e outras), via ração.
O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, informa que em treze municípios da região da cooperativa foram instalados quinhentos aviários, que fornecem frangos no sistema de integração. Dilvo observa que, para produzir ração para alimentar frangos, suínos e bovinos, serão absorvidos anualmente 1,1 milhão de sacas de soja e 4,3 milhões de sacas de milho, portanto, a verticalização representada pelo setor carne também resultará diretamente a dinamização da própria atividade agrícola.


