A excelente produção de morango na região de Londrina em 2006 animou os produtores, que este ano devem aumentar em 17% a área cultivada, superando os 100 hectares que abrigaram 6 milhões de mudas na última safra. Este ano, 200 mil mudas a mais deverão ser plantadas na região.
  O problema é o que o desempenho das plantas deve ser menor nesta safra. O alerta é do implementador de frutas da Emater, Élcio Rampazzo, responsável pelo acompanhamento das lavouras na região. ‘‘O ano passado foi excepcional para o morango, mas, este ano, temos indicativo de muita chuva e oferta de muda ruim’’.
  Na última safra, os dois principais fatores que alavancaram a produtividade da cultura foram o período de seca e a boa qualidade da muda. ‘‘Não teremos a mesma situação este ano e isso representa produtividade menor para a safra’’, alerta Rampazzo. No ano passado, as plantas chegaram a produzir até 1,2 quilo de morango quando a média registrada no Estado é de 600 gramas por planta. Este ano, a previsão é manter a média.
  O motivo, segundo Rampazzo é que o Paraná não tem viveiros de produção de muda de qualidade. O estado tem importado mudas do Chile e da Argentina. No ano passado, 5 milhões de mudas foram trazidas de fora. ‘‘O problema é que essas mudas importadas chegam ao Paraná muito tarde (no mês de maio) e tornam o plantio tardio, influenciando também na produtividade. Os produtores chegam a plantar até dois meses depois do período ideal, que vai de março a abril’’.
  O técnico ressalta que não existe incentivo para a produção de muda no Estado. ‘‘Temos orientação técnica, mas dinheiro a fundo perdido para a produção e mudas, infelizmente, não. Isso prejudica demais o produtor, que acaba buscando mudas em viveiros de outras regiões’’. Cidades de São Paulo e do Rio Grande do Sul têm viveiros com mudas de boa qualidade. O custo por planta fica entre 15 e 20 centavos.
  O manejo também deverá exigir mais do produtor. Por causa do clima chuvoso, ele precisará redobrar os cuidados com as plantas, fazendo a cobertura de plástico em forma de túnel nos canteiros. A umidade também propicia o aparecimento de doenças, o que representa o maior uso de adubos.
  Entre as principais pragas da planta, estão a antracnose, popularmente conhecida como flor preta, que ataca o risoma (miolo da planta), os ramos, a flor e mancha o fruto; a petalosti (doença da raiz); a dendrofoma (que ataca as folhas), além da ocorrênica de ácaros. ‘‘O produtor terá que redobrar os cuidados e mesmo assim, não conseguirá a boa produtividade de 2006’’, sentencia Rampazzo.
  A preocupação maior é com os produtores com pouca experiência no ramo. ‘‘A empolgação em plantar por causa da boa safra do ano passado, pode trazer problemas. O ideal é buscar sempre orientação técnica’’.

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