O excesso de umidade provocado pelas chuvas favorece o aparecimento de diversas pragas, como o pulgãoAs principais regiões produtoras de algodão no Paraná estão com a maior parte de suas lavouras plantadas. O inverno ameno deste ano, as temperaturas altas e a umidade das frequentes chuvas de novembro favorecem o aparecimento de diversos tipos de insetos.
Na região de Goioerê, que já plantou uma das maiores áreas do Estado, até cigarrinha - uma praga inédita no algodão - tem aparecido nas lavouras. Segundo o agrônomo da Cooperativa Agropecuária de Goioerê (Coagel), Júlio César Della Torre, a safra está prometendo dar muitos problemas com pragas.
Número de aplicações de venenos deve aumentar nesta safra, para diminuir os danos causados pelos insetos-pragas
O pesquisador da Embrapa-Algodão (sediada em Campina Grande, Paraíba), Carlos Alberto Domingues da Silva, recomenda que o produtor observe muito bem sua lavoura antes de decidir pela aplicação. ‘‘O cotonicultor deve aprender a tolerar a presença de insetos na sua lavoura enquanto esses não atingirem o nível de controle, para não onerar os custos e não prejudicar o ambiente’’, alerta o pesquisador.
RecomendaçõesEnquanto as pesquisas brasileiras não avançam no desenvolvimento de cultivares resistentes às principais pragas do algodão, algumas recomendações podem pelo menos reduzir o número de aplicações. Segundo Carlos Alberto, os esforços dos programas de pesquisas de melhoramento genético estão mais concentrados em cultivares de ciclo curto, que visam quebrar a sincronia entre a fonte alimentar da praga e sua ocorrência, além de possibilitar a antecipação da colheita e, consequentemente, a destruição dos restos de cultura.
A broca estrangula a raiz, impedindo a passagem a seiva ocasionando o murchamento da planta
Estima-se que até o ano 2000 a Embrapa, em parceria com a Monsanto, colocará à disposição dos agricultores duas cultivares de algodão geneticamente modificadas, contendo o gen Bt, que dá resistência aos lepidópteros (insetos) desfolhadores do algodão.
A amostragem das pragas e o conhecimento de seus inimigos naturais é muito importante, e deve ser feita em intervalo de cinco dias, tomando-se aleatoriamente 100 plantas em talhões com até 100 hectares, em área homogênea, caminhando em ziguezague dentro da lavoura.
As pragas e inimigos naturais devem ser quantificados, através do preenchimento de fichas. Por exemplo, para amostrar o curuquerê, deve-se examinar em cada planta a terceira folha, de cima para baixo. No caso do bicudo, deve-se observar um botão floral de tamanho médio, na metade superior da planta, e procurar a presença ou não de buracos de oviposição ou alimentação.
PragasO bicudo, principal praga do algodão, já está presente em muitas lavouras. Na foto, larvas e maçãs destruídas por elas
O controle químico das principais pragas do algodoeiro somente deverá ser efetuado quando as pragas atingirem o nível de controle. Até o aparecimento das primeiras maçãs firmes (cerca de 70 dias), não devem ser utilizados inseticidas piretróides.
A escolha dos inseticidas deverá contar com a orientação de um profissional de agronomia e levar em consideração a efetividade, seletividade, toxidade, poder residual, período de carência, método de aplicação, formulação e preço.
Boa germinaçãoNa região de Goioerê 80% da área foram plantados, e o plantio só não terminou ainda por causa da chuva. A previsão é de plantio de 13.600 ha, um pouco maior do que no ano passado, quando se plantaram 10.100 ha, e muito menor do que a área cultivada na safra 91/92, que atingiu mais de 70.000 ha.
Segundo o agrônomo da Coagel, até agora as lavouras estão com boa germinação e bom desenvolvimento. A preocupação maior é com o aparecimento precoce de insetos que podem vir a ser problema. ‘‘Tem produtor pulverizando preventivamente lavouras com apenas uma semana de germinação’’, diz Júlio César. O número de aplicações costuma ser de 14 na região durante o ciclo da cultura, e este ano eles acham que as aplicações vão chegar a l6.
‘‘A esperança do produtor é que as lavouras tenham boa produtividade e preço competitivo na hora da colheita; caso contrário, o custo desta safra vai ser mais um duro golpe para a cultura no Estado’’, diz Júlio.
Na região de Astorga, na área atendida pela Cooperativa Agropecuária de Astorga (Cocafé), foram plantados 7 mil ha de algodão este ano, uma área 40% maior do que a do ano passado. Segundo o agrônomo Jean Carlo Bassan, as lavouras estão bem desenvolvidas, mas o excesso de chuva pode prejudicar o controle preventivo da broca.

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