O plantio da safra de verão se intensifica no final deste mês e início de outubro. Ao contrário do ano passado, quando houve atrasos em função da estiagem, o clima deste ano está favorecendo o plantio na época recomendada para as diversas culturas de verão.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, o plantio de milho já atinge 14% do total previsto de 1.774.000 ha. Com uma aumento de área previsto em 15%, a procura por sementes fez aumentar um pouco os preços deste insumo, mas não há até problemas de falta do produto, comenta a agrônoma Rossana Catiê, do Deral. ‘‘O plantio está transcorrendo normalmente, e se o clima continuar ajudando, a semeadura deve estar encerrada dentro do prazo recomendado’’.
Outras culturasAlém do milho, 22% da área de feijão das águas já está plantado. A área prevista de 376 mil hectares é 17% menor do que a do ano passado. A batata das águas já tem 45% área plantada, infomra Otmar Hubner, do Deral.
No ano passado, nesse mesmo período, haviam sido plantados apenas 15% do feijão e 5% do milho. O feijão está mais adiantada nas regiões Norte e Sudoeste. Se o clima continuar com regularidade de chuvas alternado com temperaturas quentes, começa nesse mês o plantio de arroz e cebola. Em outubro, começa o plantio de soja e no final de outubro, o de algodão. Essas duas culturas devem ter o plantio intensificado no mês de novembro.
Amendoim O plantio de amendoim nesse ano será 22% maior do que na safra anterior, passando de 3.290 para 4.016 hectares, prevê o deral. Produtores do Noroeste do Paraná que tiveram perdas com o café no período das geadas estão encontrando no plantio do amendoim uma alternativa de renda, enquanto esperam pela recuperação da lavoura cafeeira. Com isso, o cultivo de amendoim, que quase foi extinto no Estado, ressurge com força e o aumento de área plantada na safra de verão é expressivo.
A expectativa de produção, segundo o Deral, sobe 38%, de 5.888 toneladas colhidas no ano passado para 8.100 toneladas na safra 2000/2001. A região Noroeste será responsável por quase 30% da área plantada, com um total de 1.100 hectares. No ano passado, o plantio ocupou 870 hectares, informa o economista Ático Luiz Ferreira, do Deral. O técnico diz que os produtores estão animados com a alta lucratividade que a cultura está proporcionando aos produtores.
O amendoim é uma cultura rústica, que não exige muitas aplicações de defensivos e herbicidas, o que encarece a produção de grãos. O investimento maior fica por conta da aquisição de sementes, que hoje está em R$ 2,50 o quilo. A semeadura de um hectare gasta em torno de 100 quilos de semente, calcula o cerealista Jiro Kimura, proprietário da cerealista São Paulo, em Cianorte.
O produtor, porém, não deve descuidar de fazer um bom preparo do solo, com adubação correta e tratamento com inseticida ou fungicida, sendo necessárias pelo menos duas ou três aplicações. ‘‘Mesmo assim, o volume de aplicações é inferior ao que ocorre com lavouras de trigo ou algodão’’, diz Kimura.
MercadoO cerealista acrescenta que a produção de amendoim no Paraná tem um amplo mercado. As fábricas de doces e empacotadoras no Estado estão indo buscar em São Paulo 90% da matéria-prima que industrializam. ‘‘A procura pelo amendoim por parte das indústrias está maior que a oferta’’, diz.
O produtor recebe entre R$ 17,00 e R$ 18,00 a saca de 25 quilos, o que é considerado um preço atraente. No ano passado, recebeu R$ 12,00 a saca e já obteve lucratividade compensatória, informa o técnico Ático Ferreira. ‘‘Além disso, é uma fonte de renda para os produtores que tiveram que cortar os pés de café e vão esperar cerca de dois anos pela sua recuperação’’, lembra.

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