Nessa terça-feira foi realizada a última etapa da soltura de vespas Trissolcus basalis, predadora do percevejo da soja, nas lavouras da microbacia do Rio do Campo, em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná. O controle biológico de pragas já é utilizado há cerca de 15 anos na área, que é cortada pelo rio onde a Sanepar capta cerca de 80% da água distribuída na cidade.
No total foram 350 mil vespinhas liberadas em nove pontos estratégicos da microbacia, desde a última semana de dezembro. A soltura é determinada pelo monitoramento semanal que 15 estudantes do Colégio Agrícola realizam em 100 pontos da microbacia. O monitoramento, que detecta o grau de infestação do percevejo, lagarta e do tamanduá nas lavouras, prosseguirá até os primeiros dias de março. Segundo os técnicos, o nível de infestação tem sido normal na atual safra e o bom volume de chuvas contribuiu para o manejo biológico de pragas.
Qualidade do ambienteO monitoramento e o controle biológico fazem parte do projeto de Qualidade do Ambiente Produtivo Rural, desenvolvido há cerca de 20 anos nesta microbacia. Doze entidades públicas e privadas estão envolvidas diretamente na execução do trabalho e a prefeitura de Campo Mourão mantém convênio com a Associação de Moradores da Bacia do Rio do Campo (Riocam) para a manutenção do Laboratório de Multiplicação de Vespinhas, implantado em 1994. Foi o primeiro laboratório comunitário do gênero no País e a unidade já iniciou os trabalhos visando a safra de soja de 2001/2002.
Nesta área são utilizados quase que exclusivamente produtos fisiológicos e biológicos no combate a pragas. As lavouras de soja ocupam cerca de 4.500 hectares da microbacia, que tem um total de 7.076 ha.
EficiênciaO controle do percevejo com vespinhas é eficiente nas áreas onde o controle da lagarta da soja é feito pelo baculovírus anticarsia ou outros produtos biológicos ou fisiológicos, que não matam os predadores naturais.
O Trissolcus basalisé uma vespa preta, com 1 a 1,3 milímetro de comprimento, que se desenvolve dentro dos ovos de percevejos. Multiplica-se em 10 dias e cada fêmea é capaz de parasitar 250 ovos de percevejo. A vespinha é encontrada no ambiente, mas em quantidade insuficiente para o controle dos percevejos, tornando-se necessária a liberação de grandes quantidades em determinados períodos da safra.
O procedimento tem o objetivo de antecipar o efeito do parasitóide sobre a população dos percevejos com a finalidade de manter a praga abaixo do nível de dano econômico durante o período crítico de desenvolvimento da soja.
Entre as principais vantagens do controle biológico estão a redução nos custos de produção da safra, além de evitar a contaminação do meio ambiente, a quebra do equilíbrio biológico e as intoxicações humanas provocadas pelos agrotóxicos.

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