Curitiba - O clima desfavorável deste ano - com estiagem prolongada, geada e granizo -, afetou a produção de milho safrinha que será reduzida em cerca de 2 milhões de toneladas este ano. No ano passado, o Paraná produziu nas duas safras, verão e inverno, 14,4 milhões de toneladas de milho, sendo a safrinha de 6,04 milhões de toneladas e a normal em 7,5 milhões de toneladas. Este ano a previsão é de 11,2 milhões de toneladas nas duas safras: 3,7 milhões de toneladas na safrinha e 7,5 milhões de toneladas na safra normal.
Além das dificuldades climáticas os produtores enfrentaram o alto custo dos insumos, que em 2003 acumularam reajuste de até 57% no caso das sementes e de 24,3% para os agrotóxicos. Somado a isso houve queda no preço do milho que chegou a R$ 14 a saca, valor que não cobre os custos de produção.
O reflexo nesta safra será a baixa rentabilidade que a cultura poderá proporcionar os produtores. Estudos apresentados pelo técnico Carlos Tavares, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão ligado ao Ministério da Agricultura, mostram que em março deste ano a saca de milho de 60 quilos rendeu 9,7% ao produtor. Enquanto isso, no mesmo mês, a soja chegou a render 46,3%, o algodão 22,6% e o trigo 13,9%.
Segundo Tavares, apesar do milho ter menor custo de produção, culturas como a soja e o algodão, por exemplo, têm rentabilidade bem superior. Em encontro, promovido pela Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), na última quarta-feira em Curitiba, para discutir a cadeia produtiva do milho, Tavares citou quatro fatores críticos para a produção do milho: baixa rentabilidade; crescimento na avicultura sem alavancar a produção de milho; relação elevada entre os preços da soja e do milho; e dificuldade da cadeia do milho para exportação, com consequente enxugamento dos estoques internos.
Para o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, de Minas Gerais, José Carlos Cruz, também presente ao evento, uma das saídas para aumentar a rentabilidade com o milho é ampliar o uso de tecnologias, especialmente no caso das sementes. ''A semente representa 50% da produtividade do milho. O manejo é responsável pelos outros 50%'', disse.
Hoje, segundo Cruz, existem 230 tipos de cultivares, com preços que variam entre R$ 50 a R$ 200 a saca, mas o produtor deve saber avaliar qual pode trazer maior rentabilidade. ''É preciso analisar os custos e o potencial de produção'', disse. O uso de tecnologias, segundo o pesquisador, pode amenizar os efeitos ruins do clima sobre as lavouras, mas é preciso conduzir a produção com boa orientação técnica.
De acordo com a engenheira agrônoma Vera Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab, a adoção de tecnologias no cultivo do milho em várias regiões do Estado faz do Paraná um dos Estados de maior rendimento por área.
Já há alguns anos, segundo ela, produtores da Batavo, no Centro-Sul do Estado, conseguem produzir de 7 a 8 mil quilos de grãos por hectare; há locais onde o número extrapola. Na última safra de verão, por exemplo, a produtividade média das lavouras no Paraná foi 5.565 kg/ha, 61% superior à média nacional.

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