Clima afeta custo de produção da pecuária
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sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Como outras atividades agrícolas, a pecuária sofre os efeitos da estiagem severa este ano. Os custos de produção no Paraná tiveram aumento de 10,41% e apesar da alta do preço da arroba nos últimos meses, a remuneração não satisfaz o produtor. ''As condições adversas do clima, que provocaram redução da oferta de pasto, obrigaram o pecuarista a gastar mais com a suplementação'', atesta Luigi Carrer Filho, empresário da área de reprodução e saúde animal e diretor da Sociedade Rural do Paraná.
O aumento de 10,41% em 2007 no Paraná foi registrado no levantamento Custo Operacional Efetivo (COE), realizado em 10 estados brasileiros pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O índice nacional ficou em 7,34%.
Segundo Carrer, o produtor se ressente do aumento dos insumos e também de alta de impostos e combustíveis. ''O sal proteinado e ração tiveram reajustes que encareceram a terminação da engorda'', afirma. Nas outra ponta, a remuneração pela arroba não compensa os custos.
No Paraná a arroba acumulou reajustes de 11,62% em 2007. Porém, os R$ 59,00 pagos atualmente ao produtor, segundo Carrer, não atendem as expectativas do setor. O produtor afirma que no ano passado, o preço da arroba oscilou entre R$ 45,00 e R$ 50,00, reflexo dos casos de febre aftosa registrados há dois anos. ''Hoje para melhor remunerar o pecuarista o preço da arroba deveria estar entre R$ 65,00 e R$70,00, patamar semelhante ao praticado há dois anos, quando preço era de R$ 65,00'', afirma.
Outro levantamento da CNA mostra que a pecuária brasileira tem vantagens em relação à atividade desenvolvida em outros países. Segundo o estudo, realizado em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), para vender 100 quilos de carcaça o pecuarista brasileiro desembolsa, no máximo, US$ 180,00. Os mais altos custos de produção são observados na Áustria, onde o desembolso chega a US$ 970,00 por 100 quilos de carcaça vendida.
Carrer atribui esse ranking à forma como a pecuária é praticada no Brasil. ''O melhoramento genético é um dos mais avançados do mundo, o que nos possibilita a precocidade (o gado pode ser abatido aos 24 meses'', exemplifica. O produtor também cita a disponibilidade de grandes extensões de terra para a criação de bovinos, ao contrário da Europa, onde os animais são confinados. ''O boi de pasto tem um custo muito menor'', afirma.


