Citricultura domina 54% das áreas ocupadas por frutas no Paraná
Colheita de laranja, tangerina e limão representa mais de 60% do volume colhido pela fruticultura no estado
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de outubro de 2024
Colheita de laranja, tangerina e limão representa mais de 60% do volume colhido pela fruticultura no estado
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

A citricultura domina mais da metade das áreas ocupadas pela fruticultura no Paraná, respondendo por quase 54% do território total para o cultivo de frutas no estado.
A estatística integra levantamento realizado pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento). Dados relativos a 2022 apontam que a fruticultura ocupou 55,2 mil hectares de terras no Paraná neste ano.
A citricultura envolve o cultivo de laranjas, tangerinas e limões. Em relação ao volume produzido, a participação nas colheitas dessas três frutas representou 63,4% das colheitas da fruticultura no estado, que totalizaram 1,3 milhão de toneladas colhidas.
Engenheiro agrônomo do Deral responsável pelo levantamento, Paulo Andrade destaca que a laranja tem potencial de crescimento no estado, apesar do greening.
“Produtores paulistas buscam áreas para laranja no Paraná e no Mato Grosso do Sul para manter a liquidez em seus negócios. Temos como crescer, apesar do greening, com o manejo adequado dos pomares”, pontua.
O técnico explica que grande parte da produção de laranja no Paraná é destinada ao fornecimento de frutas para o processamento industrial.
A fruta é transformada em suco concentrado e em subprodutos destinados para o mercado externo, além de servir como matéria-prima para suco pronto, dirigido ao mercado nacional. A intensificação da safra no estado ocorre a partir de julho. “A comercialização de frutas frescas é focada no consumo interno, local e regional”, pontua.
Com início de colheitas modestas em abril, a tangerina se destina ao mercado in natura. “É uma fruta com oferta concentrada em 10 semanas do ano, tem alta perecibilidade e baixa vida de prateleira”, analisa.
Segundo o técnico, a produção de suco de tangerina é uma realidade muito perseguida pelos citricultores da região do Vale do Ribeira, visando um fornecimento – via transformação agroindustrial – de um produto diferenciado, sinalizando aos agricultores um novo nicho de mercado.
O VBP (Valor Bruto da Produção) das três culturas – laranja, tangerina e limão – beirou os R$ 710 milhões em 2022, sendo a laranja a grande protagonista, gerando quase R$ 620 milhões de riquezas.
Cultivada em 20,8 mil hectares no estado, a laranja tem Paranavaí como o maior município produtor, representando 18,7% dos volumes colhidos da fruta no Paraná e um VBP de R$ 116,1 milhões em 2022.
COMPENSAÇÃO
O produtor rural Ederson Colucci cultiva laranjas há cerca de 20 anos em Paranavaí. Ele destaca que a produção neste ano deverá ficar 20% menor. Em compensação, o mercado está aquecido: o valor da caixa com 40,8 kg registrou um aumento de 100% em 2024, em comparação ao ano passado.
O maior desafio do produtor é prevenir o greening, praga que leva à erradicação dos pés contaminados. “O citricultor tem que ser extremamente profissional ao fazer o manejo certo na hora certa, com análise de solo, das folhas, sempre com a adubação necessária”, detalha.
Ederson comercializa a fruta fresca para o mercado interno. A maior parte da produção, no entanto, é vendida para uma cooperativa que utiliza a laranja para fazer suco concentrado e pasteurizado. “Boa parte acaba sendo exportada para a Europa”, conclui.
O município que lidera a produção de tangerina é Cerro Azul, sendo que 57,4% das frutas do estado foram extraídas desse município em 2022. Em todo o Paraná, a tangerina ocupou 6,9 mil hectares de terras nesse ano.
Cultura com área mais modesta, o limão ocupou 1,3 mil hectares de terras no Paraná em 2022. Altônia é o maior produtor da fruta, recolhendo quase 68% da fruta no estado.
“Produtores paulistas buscam áreas para laranja no Paraná e no Mato Grosso do Sul para manter a liquidez em seus negócios"
Paulo Andrade - Engenheiro agrônomo do Deral
Em área, banana fica na 2ª colocação
Quando se fala em área ocupada pela fruticultura no Paraná, a banana está na segunda colocação – atrás da citricultura (laranja, tangerina e limão).
Levantamento realizado pelo Deral aponta que a banana ocupou 7,7 mil hectares de terras em 2022, com uma produção de 143,2 mil toneladas e VBP de R$ 217,6 milhões.
O engenheiro agrônomo do Deral destaca que a principal região produtora de bananas no Paraná está no litoral, entre duas das principais regiões na atividade do país – o Vale do Ribeira, no estado de São Paulo, e o Vale do Itajaí, em Santa Catarina.
O principal produtor de banana no Paraná é Guaratuba, com participação de 41% para a cultura em território estadual. O VBP da fruta no município alcançou R$ 88,9 milhões em 2022.
O município litorâneo produziu banana em 3.250 hectares de terras, totalizando uma produção de 58,5 mil toneladas em 2022.
“Por outro viés, o morango, com 1 mil hectares, registrou um volume colhido de 34,7 mil toneladas em 2022, mas com um VBP de R$ 389 milhões”, conclui o engenheiro agrônomo.


