O bom controle do cancro cítrico e a cotação em alta desses produtos no mercado interno e externo, com perspectivas de aumento nas exportações, deverão provocar uma expansão da área de citricultura no Paraná. A informação é do agrônomo da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento, em Maringá, José Croci Filho.
Segundo José Croci, que também é o coordenador estadual da Campanha Nacional de Erradicação do Cancro Cítrico (Canecc), ‘‘especialmente no caso da laranja,’’ esse aumento deverá ser de pelo menos 800 mil novas plantas. Croci informa que o Paraná tem hoje 12.500 hectares de laranja, concentrando maiores áreas de Norte a Noroeste do Estado e 12 mil ha de tangerinas, na região do Vale do Ribeira.
Desde 1989, quando o Estado adotou um pacote tecnológico de controle de cancro cítrico, desenvolvido pelo Instituto Agronômico do Paraná em 1985, os produtores têm conseguido bons resultados não só de controle da doença, mas de aumentos de produtividade, usando variedades resistentes, recomendadas pela pesquisa. A média de produtividade tem sido de 900 caixas por hectare, de acordo com José Croci Filho.
Reunião técnica Na semana passada uma reunião de agrônomos dos três Estados do Sul do País (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) serviu para discutir o controle do cancro, mudanças na legislação, entre outros assuntos. A 1ª Reunião Técnica Sul Brasileira sobre Cancro Cítrico, realizada em Londrina, é a primeira de uma série de encontros técnicos que devem acontecer entre os três Estados. O objetivo é propor ações em bloco para a expansão da citricultura.
O encontro da semana passada serviu para um levantamento da situação da doença em cada Estado, dos trabalhos de controle e resultou sugestões para mudanças na legislação federal que trata da liberação de novas áreas de plantios e manejos de plantas doentes.
José Croci Filho assegura que o Paraná, pela adoção do modelo tecnológico proposto pela pesquisa, tem uma posição diferenciada de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O manejo, baseado nas recomendações do Iapar, inclui o saneamento das áreas com erradicação de plantas contaminadas; implantação de pomares com variedades resistentes; uso de quebra-ventos; isolamento da área de pomar; controle de trânsito de pessoas e equipamentes dentro do pomar; além da pulverização com produtos cúpricos (a base de cobre) para prevenção contra a bactéria que causa o cancro.
Dos três Estados do Sul, segundo José Croci, apenas o Paraná aplica esse tipo de manejo, que poderá ser adaptado também para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. ‘‘A reunião serviu para que técnicos dos outros Estados pudessem conhecer o trabalho no Paraná.’’
Segundo o agrônomo, as discussões da reunião técnica e as propostas que resultaram do encontro têm objetivo de agilizar o programa de erradicação da doença no Sul do País. Além disso, pretende aumentar a produção e produtividade para conquistar os mercados da Europa e do Mercosul.
As propostas terão agora análises técnicas, científicas e jurídicas, feitas pelo Ministério da Agricultura e, mais tarde, serão apresentadas numa reunião nacional da Canecc, envolvendo todos os Estados produtores de citros.
Cultura em expansão No Paraná, 90% da produção de laranjas é destinada a industrialização, para três empresas instaladas no Paraná (uma em Rolândia, no Norte, e outras duas em Paranavaí, no Noroeste).
Mas o agrônomo avisa que o cultivo de citros depende primeiro de uma avaliação por parte da Secretaria de Agricultura, responsável pela liberação de novas áreas. A aquisição de variedades só pode ser feita em viveiros credenciados e registrados junto à Seab.
Na safra passada o Paraná produziu 6 milhões de caixas de laranja, enquanto que São Paulo, o maior produtor do País, produziu 400 milhões de caixas. Mesmo longe do maior produtor, segundo José Croci, os agricultores do Paraná têm demonstrado grande interesse na expansão da citricultura, ‘‘uma atividade que traz muitas divisas ao País.’’
Mudanças na lei Com relação a legislação sobre o cancro cítrico os técnicos discutiram mudanças de alguns ítens, entre eles o que trata da erradicação de plantas doentes. Hoje a determinação é erradicar não só a planta doente mas todas as plantas num raio de 30 metros, o que tem trazido prejuízos econômicos ao produtor.
A sugestão dos técnicos é uma mudança nessa determinação. Depois de eliminar a planta doente, ao invés de erradicar as plantas vizinhas, poderia se fazer apenas o tratamento delas, para garantir o controle, sem prejuízos para o produtor. Num raio de 30 metros, para cada linha, dependendo do espaçamento, pela lei atual, chega-se a perder até 80 plantas sadias para uma doente.
Mesmo sabendo que mudanças na legislação não são simples, a última alteração foi feita em 1987, a proposta será estudada pelo Ministério da Agricultura e colocada em aprovação durante reunião nacional da Canecc. A alteração na legislação em 1987 foi com relação a liberação de novas áreas. Até então essa liberação era feita somente por município e, com a alteração, passou a ser por propriedade rural.
Eventos técnicos Outra decisão da reunião técnica foi a realização de dias-de-campo sobre citricultura nos três Estados do Sul. No Paraná estes encontros serão realizados nos dias 24 e 25 deste mês. No dia 24, em Paranavaí, no Noroeste; e no dia 25, em Rolândia, no Norte. Segundo o técnico da Seab a expectativa é reunir 150 produtores em cada evento.

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