Cinco safras em Mauá da Serra
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sábado, 09 de fevereiro de 2002
Carolina Avansini Reportagem Local 
Agricultores de Mauá da Serra apostam na cultura do feijão para aumentar a renda e otimizar a utilização da terra e da estrutura das propriedades. Tradicionais produtores de milho, soja, trigo e aveia, eles introduziram o feijão na rotação de culturas há três anos e desde então, obtém cinco safras diversas a cada dois anos.
De acordo com o produtor Sérgio Higashibara, proprietário de 500 hectares (ha), a iniciativa demanda mais trabalho e um calendário de plantio apertado, mas os resultados compensam. Retiramos uma receita a mais da terra. Diante da globalização e da competição cada vez mais acirrada, só consegue sobreviver da agricultura quem busca alternativas para melhorar os rendimentos.
Roberto Higashibara, proprietário de 400 ha, plantou 70 ha de feijão ano passado e decidiu repetir a experiência em 2002 porque considerou os resultados compensadores. Aproveito melhor a estrutura de máquinas e a mão-de-obra, evitando que a terra fique parada, disse. Influenciado pelas conquistas dos outros produtores, Carlos Kamiguchi pretende iniciar o plantio de feijão no início do ano que vem. Estou preparando recursos financeiros e máquinas. Não se pode perder oportunidades de incrementar a renda, acredita.
CalendárioO engenheiro agrônomo Márcio Sasso, do entreposto da cooperativa Integrada em Mauá da Serra, sugere um cronograma de plantio para quem quer adotar a prática. Ele recomenda iniciar com uma variedade de milho precoce em agosto. A colheita é feita em janeiro, quando também realiza-se o plantio do feijão. Em junho, colhe-se feijão e semeia-se o trigo, que é colhido em outubro. Nesse mês, a soja é plantada para ser colhida em março do ano seguinte, quando planta-se a aveia. A colheita realiza-se em agosto, quando planta-se novamente o feijão ou o milho.
O município é pioneiro na adoção do plantio direto no Paraná. Com a introdução do feijão, os produtores continuam mantendo a prática, semeando em cima da palha da cultura anterior. Na propriedade de Roberto Higashibara, o grão está sendo plantado em cima do milho. Após a colheita desse produto, a palha é triturada e um dessecante é aplicado para matar as ervas daninhas. Terminado esse processo, a terra está pronta para receber as sementes de feijão, que podem ser semeadas no mesmo dia. Não podemos perder tempo, pois o feijão não se adapta ao frio, observou.
ProblemasA principal dificuldade enfrentada pelos produtores é na hora da colheita. As colheitadeiras de soja precisam ser adaptadas para a nova cultura, o que demanda investimentos. Roberto Higashibara gastou R$ 6 mil para preparar seu equipamento. Para utilizar a máquina sem adaptações, é necessário colher o feijão ainda úmido, para evitar que os grãos se quebrem.
Segundo os produtores, nem sempre é possível comercializar o produto nesse estado, por isso, a solução seria uma secadora. O agrônomo Márcio Sasso informou que a cooperativa Integrada vai construir um silo secador que começará a funcionar em junho, quando começa a ser colhida atual safra.


