Ciganinha invade e destrói pasto
Cláudia Barberato
De Londrina
Primeiro ela toma conta da invernada, depois da fazenda e, em pouco tempo, de toda uma região. O alerta sobre a ciganinha, planta que é considerada praga de pastagem, está sendo feito pela Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS).
Segundo o pesquisador da Embrapa, Saladino Gonçalves Nunes, a ciganinha está presente em praticamente todo o Centro-Oeste brasileiro, atingindo os pastos de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná.
A ciganinha é nativa do Cerrado e se alastra, principalmente, nas áreas desmatadas para formação de pastos e nas pastagens degradadas. Este ano a seca agravou ainda mais o problema. A propagação é feita por sementes que são levadas pelo vento, alcançando grandes distâncias.
ResistenteDe acordo com o pesquisador, ela se propaga também pelo caule, tanto aéreo como subterrâneo. Por isso só roçar não resolve o problema e acaba até fortalecendo a planta, alerta Nunes. A ciganinha floresce, frutifica e fornece sementes praticamente o ano todo.
Pouco se sabe sobre sua fisiologia, biologia, ecologia e distribuição geográfica e por esse motivo está difícil monitorar a infestação e viabilizar métodos de controle eficientes e de baixo custo, explica o pesquisador.
Conhecer maisA Embrapa, segundo Saladino Nunes, está procurando parceiros da iniciativa privada, para desenvolver um projeto de monitoramento via satélite da planta, e mapeamento, para detectar as áreas mais problemáticas. O projeto deverá começar pelo Mato Grosso do Sul e depois estender-se para outros Estados.
De olho no pastoA recomendação é para tratar o problema cedo, em início de infestação. Para isso o pecuarista terá que fazer uma vistoria nas suas áreas de pastagens e entrar com roçada e controle químico da planta. Mesmo que o tratamento custe caro, o serviço deverá ser encarado como custo-benefício, garante o pesquisador da Embrapa. Segundo ele, quando a planta toma conta do terreno, pode inviabilizar o pastejo de animais.
Saladino Nunes recomenda a erradicação da ciganinha, de forma integrada com medidas preventivas, métodos químicos e mecânicos associados, aliados a práticas culturais e de manejo que favoreçam o desenvolvimento da forrageira. Ele avisa que as medidas devem ser tomadas não só na propriedade atingida, mas também nas vizinhas, para evitar o alastramento da ciganinha.
Pastagem inviabilizada Quando há formação de pastagem, enquanto o pasto está exuberante não há problemas, mas são a degradação da área e o superpastejo, aliado a problemas climáticos, que favorecem o aparecimento da ciganinha.
Um levantamento feito em propriedades da região de Campo Grande, segundo Nunes, indicou a presença de 3.500 plantas por hectare, o que corresponde a um alto nível de infestação.
Segundo Saladino Nunes, em muitas propriedades, a praga já ocupa de 30% a 40% da área total dos pastos, inviabilizando economicamente o controle químico. Neste caso, o pecuarista tenta controlar a ciganinha com roçadas e cortes, mas as plantas voltam com força total. Nem mesmo o uso do sub-solador traz bons resultados, avisa o pesquisador.
Paralelamente ao mapeamento que a Embrapa pretende fazer sobre a ciganinha, outro trabalho será feito junto aos sindicatos rurais para ensinar a reconhecer e controlar a planta.
O pesquisador e sua equipe também se dispõem a fazer palestras sobre o assunto e têm orientado por telefone os pecuaristas que procuram a Embrapa Gado de Corte. Há também uma página na Internet, no endereço da unidade da Embrapa, que dá orientações sobre a ciganinha. O endereço é:www.cnpgc.embrapa.br.
ControleO pecuarista deve estar consciente de que erradicar a ciganinha não é tarefa fácil, considerando a rusticidade e agressividade da invasora, avisa Nunes. Ele recomenda o que chama de tratamento no toco, com corte da planta com o enxadão e aplicação de herbicida.
Nunes garante que o sucesso deste manejo pode atingir, se o serviço for bem feito, até 80%. Em algumas propriedades do Mato Grosso do Sul, a ciganinha foi controlada por aplicações no toco, com pulverizador costal, após corte com enxadão.
A Embrapa Corte estuda a ciganinha desde 1995. Há trabalhos sobre controle foliar com pulverização da área com herbicidas seletivos, que atingiriam somente a planta. O controle mecânico é fria, avisa o pesquisador. Na estação chuvosa do ano passado o crescimento da planta registrou que após cortada ela cresceu de 4 a 4,5 centímetros diários e, um mês depois de roçada, já estava de novo no mesmo estágio anterior.
No Paraná, segundo Saladino Nunes, não se sabe a proporção da ciganinha nas patagens. Mas sabe-se que ela está presente, principalmente nas fronteiras com São Paulo e outros Estados, onde já atingiu a maioria dos pastos, garante o pesquisador.
Segundo o pesquisador, o importante é não deixar a plantar alastrar-se. No Mato Grosso do Sul a infestação é alta nas regiões de Campo Grande, Aquidauana, Três Lagoas, Cidrolândia e Rio Pardo, entre outros municípios.
Erradicação integradaO pesquisador da Embrapa Corte reforça a recomendação: a erradicação da ciganinha deve ser feita de modo amplo, envolvendo toda uma região. Áreas isoladas, onde a espécie for erradicada, poderão ser reinfestadas, caso áreas vizinhas também não sejam tratadas.
Outra recomendação são as visitas periódicas aos pastos, que devem tornar-se rotina na propriedade, não só para vigiar o aparecimento da ciganinha mas também para evitar outros problemas.
Nunes diz que as novas técnicas, produtos e formulações continuam sendo testados, na tentativa de se conseguir metodologia eficiente e viável para a erradicação da ciganinha. Há necessidade urgente de um programa de controle da ciganinha, coordenado pelos órgãos oficiais, apoiado em legislação pertinente, incentivos, disponibilizando recursos, orientação técnica e produtos eficientes , finaliza o pesquisador da Embrapa.A planta pode inviabilizar uma fazenda em pouco tempo. Pecuarista tem que saber identificá-la
EmbrapaPesquisadores alertam para a importância de reconhecer a planta antes de alta infestação na pastagemBonita só na aparência, a ciganinha pode acabar com uma área de pastagem em pouco tempo





