Cientistas vêem avanço, ambientalistas não
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sexta-feira, 08 de outubro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - Pesquisadores da área de biotecnologia consideraram o projeto de lei aprovado pelo Senado um avanço em relação ao texto submetido à Câmara, que restringia os poderes da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e proibia as pesquisas com células-tronco embrionárias. Ambientalistas, por outro lado, criticaram as mudanças e disseram que vão pressionar os deputados a retomar o projeto original.
Entre as melhorias apontadas pelos cientistas estão o fortalecimento da CTNBio e a imposição de prazos para que contestações sejam apresentadas e avaliadas pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS). ''Dá uma certa tranquilidade saber que as coisas não vão se arrastar para sempre'', disse o cientista Aluízio Borém, da Universidade Federal de Viçosa (MG).
Há críticas, entretanto, à possibilidade de submeter uma decisão de biossegurança a um conselho político de ministros. ''Não acho que seja um fórum adequado para discutir temas técnicos e científicos'', disse o pesquisador Marcelo Menossi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Ambientalistas - Para lideranças ambientalistas, a decisão final sobre a liberação de transgênicos no meio ambiente deveria ficar com o respectivo ministério. Pelo projeto atual, a CTNBio tem a opção de exigir ou não o estudo de impacto ambiental. ''Entendemos que o licenciamento deve ser obrigatório'', disse o coordenador da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, Ventura Barbeiro. ''Vamos trabalhar junto à Câmara pela rejeição do texto do Senado.''
Embriões - Pesquisadores também comemoraram a liberação da pesquisa com células-tronco de embriões congelados, apesar da proibição da clonagem terapêutica. ''Foi o acordo viável e está muito bom'', disse Patrícia Pranke, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). ''Com isso já temos um campo grande para avançar nessa pesquisa.'' O médico Valdir Reginato, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entretanto, criticou o projeto. ''Sou contra qualquer manipulação de embriões.''


