Ciclistas criam circuito na área rural de Londrina e mais seis municípios

Batizado de Circuito Pé Vermelho, a proposta do roteiro é mostrar as belas paisagens do interior e fomentar a economia local, atraindo praticantes do esporte de outras regiões do país

Lucas Catanho/Especial para a FOLHA
Lucas Catanho/Especial para a FOLHA

Ponto de partida da rota é Londrina
Ponto de partida da rota é Londrina | Agnaldo Lopes/Divulgação
 


Grupos de ciclistas voluntários de Londrina e região buscam apoio para criar roteiros turísticos aos praticantes do esporte sobre duas rodas. As rotas rurais ainda estão sendo finalizadas, mas a projeção é que os passeios do Circuito Pé Vermelho tenham início em março de 2021.


O projeto de cicloturismo abrange os municípios de Londrina, Tamarana, Arapongas, Rolândia, Cambé, Ibiporã e Jataizinho, locais onde os ciclistas terão acesso a atrativos naturais, históricos, gastronômicos, culturais e religiosos. A ideia é atrair ciclistas de outros Estados do País.



Marco das Quatro Fronteiras; Rolândia, Cambé, Arapongas e Londrina
Marco das Quatro Fronteiras; Rolândia, Cambé, Arapongas e Londrina | Americo Moryama/Divulgação
 


A idealizadora do projeto, Patrícia Oliveira, destaca que a inscrição no circuito será por meio de um site, pelo qual o ciclista terá informações sobre o trajeto (locais e níveis de dificuldade), além de atrativos por município.


Serão sugeridos roteiros com duração de 5 a 7 dias, com pontos de partida e de chegada em Londrina, para que por onde os ciclistas passarem, fomentem a economia local. Os itinerários estão sendo definidos por representantes voluntários em cada município, que já percorrem de maneira informal os territórios sob duas rodas.

No Marco das Quatro Fronteiras, um belo ponto de descanso
No Marco das Quatro Fronteiras, um belo ponto de descanso | Americo Moryama/Divulgação
 


“O ciclista terá informações, por exemplo, sobre onde comer e onde se hospedar em cada cidade, a localização da bicicletaria e os pontos de apoio em cada localidade. Nossa ideia é instalar bebedouros a cada 30 quilômetros nas estradas”, descreve Patrícia.


Ao se inscrever, o cicloturista receberá um passaporte que será carimbado em cada local credenciado onde o visitante passar. Caso conclua até 70% do trajeto total, receberá um certificado.


O projeto tem ainda um viés ecológico. Os organizadores pretendem criar uma cartilha com informações detalhadas sobre todos os pontos turísticos do trajeto. A publicação será entregue antes da partida do cicloturista, com orientações sobre a preservação do meio ambiente.

Capela de São José, às margens da PR 444, próximo à Arapongas
Capela de São José, às margens da PR 444, próximo à Arapongas | Americo Moryama/Divulgação
 


“Pretendemos fomentar o turismo através do esporte. Além disso, será uma oportunidade de negócio para o produtor rural, que poderá oferecer café colonial, almoço, passeios, trilhas, comercializar artesanato, frutas”, enumerou.


Expectativa

O empresário Jefferson Calisto, sócio-proprietário do Acampamento São Miguel Arcanjo, já manifestou interesse em colocar sua chácara de 1 alqueire em Londrina à disposição para ser um parceiro no Circuito Pé Vermelho. “É um projeto de grande valor para o turismo rural que deverá ajudar no desenvolvimento da região”, destacou.


Há quase dois anos, o empresário loca sua propriedade para treinamentos corporativos, acampamentos religiosos e escolares. O local conta com piscina, área de camping, tenda coberta, vestiários e capela. A casa é produto de um projeto sustentável, em formato de contêiner.


Os visitantes fazem trilhas e, no meio do percurso, há um morro que proporciona uma bela vista do Rio Tibagi.


Calisto explica que, caso a propriedade passe a integrar o circuito, a ideia é que a trilha faça parte da programação, o morro seja adaptado e transformado em um mirante e o local passe a oferecer café colonial aos ciclistas. “Esse projeto agregaria muito valor e abriria portas em níveis regional e até nacional”, vislumbra.


Fomento

A diretora de turismo da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), Renata Queiroz, destaca que o projeto á uma iniciativa muito bem-vinda, já que poderá fomentar o setor de turismo – tão abalado por conta da pandemia.


“Londrina é conhecida fortemente pelo turismo de negócios, o primeiro setor a parar e que será o último a retornar após a pandemia, mas tem uma abertura grande para o ecoturismo”, destacou.


A diretora acrescenta que a Codel já está dando apoio institucional ao projeto, ao conectar os organizadores a pessoas e entidades que possam contribuir com as demandas para implantação do Circuito Pé Vermelho. “Já havíamos apoiado eventos de ciclistas, como a Rota das Catedrais e o Desafio MTB na Veia”, citou.


Roteiros

“Oficializar o roteiro ciclístico será importante para o desenvolvimento da região, já que significa atrair mais renda e valor agregado às propriedades rurais”, comenta Denise Fertonani de Araújo, presidente da Adetur (Agência de Desenvolvimento Turístico) Norte do Paraná.


Ela ressalta que Londrina e região já oferecem opções em turismo rural. A criação dos roteiros ficou a cargo da Sonho Lindo Turismo Regional, com o apoio e reconhecimento da Adetur.


O primeiro circuito foi criado em Assaí, há cerca de 4 anos, em que turistas podem conhecer a cultura japonesa, o que inclui gastronomia na época da colonização, oficina de Bon Odori, entre outras atividades.


Posteriormente, foi lançado um roteiro que inclui propriedades em Marilândia do Sul e Tamarana. Entre as atrações, figuram cachoeira, passeio em castelo e almoço rural.




Com pouco menos de um ano, o roteiro mais recente abrange propriedades de Londrina e Apucarana. Turistas podem conhecer um campo de lavanda, degustar bebidas à base de café e visitar uma vinícola, onde uma bela paisagem aguarda os visitantes com degustação de vinhos nacionais. Por conta da pandemia, os passeios estão suspensos no momento.

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