Chuvas podem prejudicar lavouras
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2001
Cristina Côrtes De Londrina 
No ano passado nesta mesma época as lavouras do Paraná sofreram com uma estiagem atípica que provocou perdas significativas em muitas áreas. Este ano as chuvas tem sido abundantes em todo o Estado, favorecendo um desenvolvimento execepcional das plantas, principalmente da soja. Mas os produtores começam a ficar preocupados com a continuidade da chuva.
Os principais problemas para a soja são o acamamento das plantas e as doenças de final de ciclo. Segundo o pesquisador Ademir Henning, da Embrapa Soja, o produtor deve avaliar bem a lavoura e não se precipitar fazendo aplicações desnecessárias com fungicidas. O combate às doenças de final de ciclo deve ser preventivo, portanto é bom observar muito bem para não deixar a doença se instalar, e também para não fazer uma aplicação inútil, elevando o custo de produção, alerta.
Quente e úmidoA umidade e a temperatura elevada são condições muito favoráveis para o aparecimento das duas doenças características de final de ciclo da soja: a septoria, conhecida popularmente como mancha parda e o crestamento de cercóspora.
A primeira aplicação de fungicida para o controle destas doenças deve ser feita quando a vagem estiver com 10% de granação e a segunda depois de 15 a 25 dias, quando a vagem atingir 50% ou 70% do enchimento, segundo o pesquisador Ademir. As perdas provocadas por estas doenças variam de 5% a 10% e numa região mais quente podem chegar a 20%.
Como a aplicação deve ser feita antes da doença aparecer, é difícil saber a hora certa. Segundo Ademir, uma boa dica para o produtor é observar o histórico da área. Se em outras safras estas doenças apareceram, é provável que com as condições favoráveis elas voltem a atacar. Mas mesmo assim é bom o produtor ouvir também a assistência técnica, lembra. Já com relação ao acamamento, provocado pela chuva quando a densidade das plantas é muito alta, não há muito o que fazer.
Na região norte do Estado, onde foram semeadas as primeiras lavouras, os grãos já devem estar quase totalmente cheios, e o produtor não deve fazer nenhuma aplicação. Nestes casos é melhor antecipar a colheita, para evitar perdas, avisa.
Outras lavourasSegundo informações do Departamento de Economia Rural (Deral) da secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), não há por enquanto nenhuma estimativa de perda nas lavouras instaladas, mas o volume de chuvas começa a preocupar, comenta a agrônoma Vera Zardo. Há alguns casos isolados em regiões diferentes do Estado onde está ocorrendo brotamento ou apodrecimento de plantas, mas ainda estamos mantendo nossa expectativa de produção inicial, diz Vera.
As lavouras de milho estão em fase de colheita e o risco maior é a perda de qualidade dos grãos que ficarão ardidos. A colheita está sendo feita em parcelas, conforma a chuva permite a máquina entrar.
Segundo Vera, na região centro-sul, grandes áreas de feijão estão sofrendo com abortamento de vagem e doenças. Os plantios de batatas no sul do Estado também enfrentam doenças fúngicas.
O algodão é a lavoura que mais tem sido prejudicada pelas chuvas no norte do Estado. Segundo a agrônoma Rosângela Vieira, do Deral da Seab de Londrina, já existe uma estimativa de perda de 10%. Nas áreas plantadas em outubro o desenvvolvimento da planta foi grande, aumentando muito o volume de folhas, que fecharam as plantas impedindo a entrada de sol no solo. Isto prejudica as maçãs que nascem mais embaixo da planta, e acabam não abrindo., explica Rosângela.
Para quem plantou em novembro, o problema é mais grave. Está ocorrendo grande infestação de bicudo e a chuva impede a entrada de máquinas para fazer o controle, explica.


