A ocorrência de chuvas fortes nas últimas semanas pode aumentar o risco de incidência de doenças como ferrugem e oídio (manchas brancas) nas lavouras de trigo do Paraná. O alerta é do engenheiro agronômo Sérgio Dotto, pesquisador do cereal na Embrapa Soja de Londrina.
Segundo ele, algumas lavouras do Norte do Paraná já apresentam o problema. ‘‘Apesar da situação ainda não ser preocupante, é aconselhável que os produtores fiquem atentos’’, disse. O especialista explicou que a lavoura deve ser monitorada em diferentes pontos para identificação de focos das doenças. Caso sejam encontradas plantas atingidas, é recomendável consultar a assistência técnica para avaliar a necessidade de aplicar fungicidas.
Dotto informou que a safra de trigo está com excelente desenvolvimento no Paraná. ‘‘O preço também está bom, por isso, compensa ter cuidado’’, acredita. As variedades mais suscetíveis e que exigem maior atenção, de acordo com o pesquisador, são Iapar 17, Iapar 29, BRS 193, Iapar 53, OR1 e Paurum.
Produtividade Em todo o Estado, 90% das lavouras já foram plantadas. Na região Norte, Dotto informou que o trigo está em fase de espigamento. ‘‘O desenvolvimento foi excepcional, pois as chuvas estimularam o crescimento das plantas’’, disse, acrescentando que o período seco que antecedeu as chuvas inibiu o surgimento de doenças na fase inicial do cultivo.
Neste ano, foram cultivados 797 mil hectares (ha) de trigo, que superaram em 4,5% a área plantada na safra passada. O pesquisador ressaltou que a produtividade também deve ficar acima do índice anterior. A expectativa é produzir 2,5 mil quilos por ha no norte do Estado, superando os dois mil kg/ha obtidos na safra de 2000. ‘‘O problema da região é a seca, mas este ano choveu bastante’’, avaliou.
Segundo Sérgio Dotto, o Paraná é o maior produtor de trigo do País, respondendo por 65% a 70% da produção nacional. Ele informou que a estimativa é colher, no Estado, dois milhões de toneladas na atual safra. No ano passado previa-se colher 1,5 milhão de toneladas, mas por causa das geadas, esse volume ficou em 600 mil toneladas.
GeadaO pesquisador comentou que a geada da semana passada parece não ter danificado as lavouras de trigo paranaenses. ‘‘A princípio não houve danos, mas se aconteceram, foram muito pequenos’’, analisou, lembrando que a avaliação real dos prejuízos só pode ser feita 15 dias após a incidência da geada.
Ele ressaltou que apesar dos prejuízos causados pelo frio do ano passado, os produtores paranaenses continuam apostando na triticultura por causa dos bons preços que o produto vem alcançando no mercado: entre R$ 280 e R$ 320. ‘‘A perspectiva de boa remuneração estimulou os triticultores. Além disso, o trigo é uma das únicas alternativas de lavoura que gera renda no Paraná, durante o inverno.’’
Protocolo de IntençõesNo dia 19 de junho, representantes de produtores e da indústria de trigo, do Governo Federal e do governo do Paraná assinaram um protocolo de intenções que garante a aquisição de toda a safra nacional do produto pelos moinhos.
De acordo com Antônio Poloni, secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, existe uma meta de suprir 50% da demanda interna com a produção nacional nos próximos dois anos, chegando em 2005 com 70% do consumo interno garantido. Hoje, a produção nacional abastece apenas 30% do consumo.
ParceriaA Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária, Embrapa e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) assinaram na última segunda-feira, em Londrina, um contrato de parceria que aumentará em 100% os locais para testes de linhagens de trigo, com relação às áreas atuais do Iapar. A iniciativa abre a possibilidade inédita do instituto testar suas variedades em outros estados produtores, pois a Fundação Meridional atua também em São Paulo e Santa Catarina.
O convênio será por um período de cinco anos e se adaptará às normas dos programas de melhoramento genético das duas instituições públicas de pesquisa. A Fundação investirá R$ 400 mil por ano para o incremento dos testes de novas cultivares. Atualmente o Iapar tem 8 locais de testes, mas com a incursão da Meridional, o número passará para 15.

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